Terça-feira, 23 de junho de 2026
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Um bebê palestino de sete meses foi morto após tropas israelenses abrirem fogo contra o carro de sua família na região de Tel Rumeida, em Hebron, na Cisjordânia ocupada. A criança, identificada como Sam Fahd Abu Haikal, estava nos braços da mãe quando foi atingida pelos disparos na sexta-feira (05/06). Os pais também ficaram feridos.

Segundo relatos da família, o veículo havia obedecido à ordem de parada emitida pelos soldados israelenses. Em entrevista ao jornal israelense Haaretz, o pai da criança, Fahd Abu Haikal, afirmou que “uma bala passou por sua mão e atingiu seu filho, Sam, que estava sendo segurado pela mãe no banco de trás”.

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Abu Haikal, professor da Universidade de Belém, relatou que viajava com a esposa, os dois filhos e sua mãe quando os militares sinalizaram para que o carro parasse. “O soldado sinalizou para eu parar. Parei o carro completamente e levantei as mãos no volante. Imediatamente depois, abriram fogo contra o veículo”, disse ele ao Haaretz.

O pai da criança afirmou ainda que o militar tinha condições de identificar claramente os ocupantes do automóvel. “O soldado estava a uns 10 metros de mim. Ele me viu, viu minha esposa e as crianças”, declarou. “As janelas não eram escurecidas, era pleno dia e tudo estava limpo. Não dá para dizer que ele não viu que era uma família”, acrescentou.

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Tropas israelenses matam bebê palestino de sete meses na Cisjordânia ocupada
Reprodução video / X / @QudsNews

Israel confirma disparo

Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que os soldados “perceberam um veículo acelerando em sua direção” e que um militar “respondeu com tiros únicos em direção ao veículo”.

As FDI acrescentaram que “o incidente está em análise” e expressaram “profunda tristeza por qualquer dano causado a indivíduos não envolvidos”.

O pai do bebê rejeitou a explicação apresentada pelos militares israelenses e cobrou responsabilização pelo ocorrido. “Parei conforme instruído, e então eles simplesmente atiraram no carro”, afirmou. “Não havia um posto de controle claro, apenas soldados parados na rua. Parei quando me pediram”.

“Exijo e espero, se houver alguma consciência, lei, moralidade, que o soldado que disparou os tiros seja responsabilizado por suas ações. Este caso não deve ser encerrado sem uma investigação e sem responsabilização. Pelo menos, não pretendo desistir”, afirmou.

Hamas condena assassinato

O movimento de resistência palestino Hamas condenou o assassinato de Sam Abu Hikal e responsabilizou as forças israelenses pela morte do bebê.

Em comunicado divulgado na sexta-feira (05/06), a organização expressou condolências à família. “Este crime não diminuirá, nem mesmo minimamente, a determinação, a resolução e a firmeza do povo palestino, que continuará a resistir à ocupação”.

O Hamas fez um apelo à comunidade internacional e às organizações de direitos humanos, em particular às dedicadas à proteção da infância, para que tomem medidas imediatas e pressionem pelo fim das agressões contra civis palestinos e pela responsabilização dos envolvidos.

A impunidade diante desses casos contribui para a continuidade da violência nos territórios ocupados, afirmou o grupo de resistência.

Em março deste ano, tropas israelenses abriram fogo contra um veículo, matando um casal palestino e dois de seus filhos, de cinco e seis anos, na localidade de Tamoun, no Vale do Jordão. Segundo a organização israelense de direitos humanos B’Tselem, outras duas crianças sobreviveram ao ataque e foram retiradas do carro com ferimentos leves.

De acordo com dados divulgados pela ONU no mês passado, mais de 1.000 palestinos foram mortos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental desde outubro de 2023. Entre as vítimas estão pelo menos 240 crianças.