Netanyahu solicita perdão por casos de corrupção ao presidente de Israel
Premiê alega 'interesse nacional' e pede fim do julgamento que enfrenta desde 2020; pedido é reforçado por Trump
O premiê israelense Benjamin Netanyahu enviou neste domingo (30/11) um pedido de perdão ao presidente de Israel, Isaac Herzog, pelas acusações de suborno e fraude em meio ao julgamento por corrupção, que ele enfrenta desde 2020.
Netanyahu é acusado de suborno, fraude e quebra de confiança ante ao recebimento de favores políticos de apoiadores abastados, em troca de presentes e matérias positivas na imprensa, informa The Guardian.
Embora rejeite as acusações, Netanyahu afirma no pedido carregar “ampla responsabilidade pública e moral, plenamente ciente das implicações de todos os eventos” em torno de seu julgamento. E acrescenta: “apesar do meu interesse pessoal em levar o julgamento até o fim e provar minha inocência completamente, acredito que o interesse público dita o contrário”.
‘Questão nacional’
Aos israelenses, em declaração televisionada, ele afirmou que “provas inocentadoras que desmentem completamente as falsas alegações contra mim são reveladas no tribunal”, no entanto, apesar de seu interesse pessoal na continuidade do processo, “a segurança e a realidade política, o interesse nacional, exigem o contrário”.
“O julgamento em andamento está nos destruindo por dentro, alimentando divergências ferozes e aprofundando divisões. Tenho certeza, como muitos outros, de que encerrar o julgamento imediatamente ajudaria a diminuir as tensões e promover a ampla reconciliação que nosso país tanto precisa”, alegou Netanyahu.
Na carta enviada à presidência, Netanyahu chega a mencionar o perdão concedido pelo presidente norte-americano Gerald Ford a Richard Nixon no escândalo do Watergate, em 1973, destaca o Haaretz.

Netanyahu solicita perdão por casos de corrupção ao presidente de Israel
Rory Arnold/ Governo UK – Wikipedia Commons
Pedido extraordinário
O escritório da Presidência israelense reconheceu o recebimento das 111 páginas do relatório encaminhada pela defesa, ao Departamento de Perdões do Ministério da Justiça.
“Suas opiniões serão transferidas para o Assessor Jurídico no Gabinete da Presidente e sua equipe para formular uma opinião adicional para a Presidente”, confirmou o gabinete do presidente Herzog.
A nota destaca que trata-se de um “pedido extraordinário que traz implicações significativas” e acrescenta que “após receber todas as opiniões relevantes, o presidente considerará o pedido de forma responsável e sincera.”
O pedido de Netanyahu vem reforçado por uma carta enviada a Herzog, na semana passada, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionando pelo perdão ao premiê israelense.
Como destaca The Guardian, os indultos presidenciais em Israel quase nunca foram concedidos antes da condenação, com a única exceção em 1986, envolvendo o serviço de segurança Shin Bet. Segundo o jornal, a exigência de perdão sem confissão de culpa ou renúncia tem o potencial de desencadear uma crise política e constitucional.
Reações internas
Nas redes sociais, Yair Lapid, líder do partido Yesh Atid, enviou uma mensagem diretamente ao presidente israelense: “você não pode conceder um perdão a Netanyahu sem uma admissão de culpa, uma expressão de remorso e um afastamento imediato da vida política.”
Na mesma toada, Yair Golan, líder do partido Democrata, destacou que “apenas os culpados buscam perdão”, e acrescentou: “o único acordo possível é que Netanyahu assumirá a responsabilidade, admitirá a culpa, deixará a política e libertará o povo e o Estado – só então a unidade será alcançada entre o povo.”
Já o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, destacou que o perdão é “crítico para a segurança do Estado”. “A reforma do sistema judiciário, especialmente do promotor estatal corrupto e manchado, que incriminou Netanyahu, é fundamental para a segurança do Estado”, informa o Haaretz.
O ministro da Economia e Indústria de Israel, Nir Barkat, também apelou pelo perdão, afirmando ser interesse tanto da esquerda quanto da direita no país, encerrar o julgamento.























