‘Sionismo foi construído como baluarte contra socialismo’, afirma especialista
Segundo Joseph Massad, professor da Universidade Columbia, muito antes dos ataques atuais, líderes sionistas vendiam movimento como ‘defesa contra comunismo’
Os ataques políticos promovidos por grupos sionistas contra lideranças progressistas no Ocidente fazem parte de uma tradição histórica de combate ao socialismo e ao comunismo. É o que defende Joseph Massad, professor de política árabe moderna e história intelectual da Universidade Columbia.
No artigo “O sionismo foi construído como um baluarte contra o socialismo”, publicado pelo Middle East Eye, o especialista afirma que, desde o fim do século XIX, o movimento sionista buscou apoio das potências imperialistas europeias ao se apresentar como uma barreira contra o socialismo e o comunismo.
Massad elenca uma série de campanhas sionistas recentes destinadas ao enfraquecimento de figuras progressistas como o ex-líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn, o senador norte-americano Bernie Sanders, o governo do premiê espanhol Pedro Sánchez e o líder da esquerda francesa, Jean-Luc Mélenchon.
Na avaliação do professor, “as recentes maquinações antiprogressistas sionistas são meras continuações” de uma história reacionária iniciada no final do século XIX, quando “o movimento sionista se vendeu aos patrocinadores imperialistas como um baluarte contra o socialismo” e “as potências imperialistas ocidentais o adotaram”.

Líder da esquerda francesa, Jean-Luc Mélenchon
Thomas Bresson/Wikimedia Commons
No artigo, Massad recupera a retórica anticomunista do movimento sionista desde sua fundação, no final do século XIX, e ressalta que a campanha contra forças progressistas continuou orientando as alianças internacionais de Israel após a criação do país, em 1948. “Seu anticomunismo inspirou todas as suas alianças com a Grã-Bretanha, a França e os Estados Unidos, países antissoviéticos”, afirma.
O especialista também menciona os ataques israelenses contra países árabes socialistas, como Síria e Egito; o apoio a ditaduras de direita na América Latina durante a Guerra Fria, incluindo regimes na Guatemala, no Chile, na Argentina e em El Salvador; além de “sua aliança com a África do Sul do apartheid”.
Massad conclui o artigo reiterando que a atual mobilização contra a campanha eleitoral de Jean-Luc Mélenchon é apenas “uma frente da batalha global mais ampla travada por Israel e seus apoiadores contra as forças socialistas que, desde 7 de outubro de 2023 e o genocídio em curso contra a população palestina, insistem em defender os direitos palestinos”.
























