Reeleição de premiê deve aproximar Armênia de EUA e UE, afirma antropóloga
Segundo Mariana Boujikian, governo local buscará reforçar relações com Washington de Bruxelas, apesar da dependência econômica e energética com a Rússia
O primeiro-ministro Nikol Pashinyan foi reeleito nas eleições parlamentares da Armênia, realizadas neste domingo (07/06), após o seu partido, Contrato Civil, conquistar a maioria absoluta no Parlamento local, com 51,13% dos votos válidos. Com isso, obteve o seu terceiro mandato consecutivo à frente do governo.
Após a divulgação dos resultados pelas autoridades eleitorais, Pashinyan realizou um discurso, já durante a madrugada desta segunda-feira (08/06), no qual enfatizou que “o povo da Armênia votou pela paz, prosperidade regional e cooperação regional”.
“Também espero que isso seja recebido com uma resposta positiva da Turquia e do Azerbaijão”, completou o premiê reeleito, recordando dois dos principais conflitos territoriais vividos pelo país na atualidade.
Em segundo lugar ficou a coalizão Armênia Forte, do liderado por Samvel Karapetyan e de inclinação pró-russa, com 23,34%. O terceiro lugar também ficou com uma candidatura simpática à retomada das relações com a Rússia, a da Aliança Armênia, liderada por Robert Kocharyan, que alcançou 9,76% dos votos.
Aproximação a EUA e UE
Segundo a antropóloga Mariana Boujikian Felippe, a reeleição do Pashinyian “significa uma vitória histórica para o seu grupo político, e para ele pessoalmente, já que o mantém como uma figura central na Armênia, mesmo em um contexto em que a sua popularidade ter caído nos últimos anos”.
A analista política observa que “a oposição não conseguiu capitalizar em cima dessas fragilidades que o governo apresentou, principalmente em relação ao conflito de Nagorno-Karabakh (contra o Azerbaijão)”
“Apesar de a Armênia ter perdido o território, de ter feito uma série de concessões e de parte da sociedade tratar o Pashinyan como um premiê entreguista, a oposição não conseguiu tomar para si esses votos, por ainda ser muito mal vista, associada à corrupção, e o Pashinyan sabe como se posicionar como a figura em favor da paz e da anticorrupção, e contra as oligarquias”, analisou Boujikian.

Premiê Nikol Pashinyian foi reeleito para terceiro mandato na Armênia
ArmenPress
Sobre as consequências para as relações internacionais do país, a antropóloga acredita que o resultado deve levar a uma aproximação com o Ocidente, os Estados Unidos e a União Europeia.
Um dos indícios sobre essa provável consequência é o apoio manifestado abertamente pelo presidente norte-americano Donald Trump à reeleição de Pashinyan.
No entanto, Boujikian lembra que a Armênia é dependente da Rússia em termos econômicos, sobretudo no que diz respeito à questão energética. Portanto, o país não pode adotar uma postura abertamente hostil ao Kremlin.
“Pashinyan vai seguir o caminho de mirar mais para Bruxelas e Washington, enquanto tenta, ainda assim, manter um equilíbrio na sua relação com Moscou”, comentou a acadêmica.
Com informações de ArmenPress.
























