‘Um por todos, todos por Lula’: livro traz bastidores de campanha popular pela libertação do líder petista
Com lançamento nesta terça-feira (28), obra do jornalista Haroldo Ceravolo Sereza retrata ‘um dos episódios mais importante do país desde as Diretas Já’
Na livraria Expressão Popular, nesta terça-feira (28/07), será realizado o lançamento do livro Um por todos, todos por Lula (Editora Autêntica), obra do jornalista, editor e escritor Haroldo Ceravolo Sereza que conta a história da Campanha Lula Livre, que resultou na liberdade de Luiz Inácio Lula da Silva, que dois anos depois de sair da prisão foi eleito presidente da República pela terceira vez.
Além do autor, o evento contará com a presença de Paulo Okamoto (Instituto Lula) e João Pedro Stédile (MST), dois dos entrevistados do livro. Segundo Sereza, a ideia para o livro surgiu de uma sugestão da Ana Flávia Marques e do Paulo Okamoto, diretora e presidente do Instituto Lula, respectivamente.
“Eles achavam importante registrar a experiência da Campanha Lula Livre e eu disse que gostaria muito de fazer isso, porque também concordava que essa era uma campanha especial, talvez a campanha mais importante do país desde as Diretas Já”, recorda o autor, que também é coordenador de um curso de pós-graduação em Bibliodiversidade e Políticas Editoriais na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).
Sereza conta que durante a pesquisa do livro decidiu adotar um estilo de narrativa não linear, para contemplar melhor “as diferentes forças que se engajaram no objetivo de tirar o Lula da prisão e de mantê-lo como uma referência na vida política brasileira” e a importância delas na campanha.
“Elas atuaram, digamos, em sintonia, mas sem que houvesse uma coordenação. Isso me obrigou a encontrar eixos principais que organizaram essa campanha, e cada um desses eixos se tornou um dos capítulos desse livro”, comenta
Vigília, manifestações e questões jurídicas
O primeiro eixo descrito por Sereza autor é a Vigília Lula Livre, que se organizou em Curitiba, nos arredores da Superintendência da Polícia Federal, onde o político ficou preso por 580 dias.
“Quando Lula se entrega, foi no dia 7 de abril (de 2018), ele aceita cumprir a decisão ilegal e injusta do Sérgio Moro, e naquele dia há uma grande manifestação no Sindicato dos Metalúrgicos, em homenagem a Dona Marisa e a ideia da Vigília surge daquele ato. Depois, a Vigília se transformou numa das principais referências para a campanha em todo o país, porque mostrou que era possível ser resistente, resiliente, e demonstrar com firmeza que a prisão era injusta”, analisa Sereza.

Multidão em frente da sede da PF em Curitiba em apoio a Lula
Ricardo Stuckert
O jornalista, que chegou a entrevistar Lula na prisão para Opera Mundi, lembra que parte dos ocupantes da Vigília achava que o líder petista seria solto em poucas semanas. “Havia a expectativa de que um habeas corpus permitisse a ele deixar a prisão, mas isso não aconteceu”, menciona.
“Apesar dessa expectativa, valeu a decisão que foi tomada logo no primeiro dia, de não se desfazer daquele acampamento até que Lula fosse solto. Então, a Vigília não arredou o pé das cercanias da Polícia Federal, usando muita imaginação, muita política e muita organização para manter suas atividades, se transformando também num centro de formação de militantes e manter a esperança da soltura de Lula”.
O segundo eixo do livro é dedicado às manifestações que aconteceram por todo o país durante a prisão de Lula, segundo o autor, “de maneira ainda mais independentes que a Vigília”.
“Pessoas que mandaram cartas, pessoas que dedicaram prêmios e conquistas, como um diploma universitário à Lula, pessoas que organizaram faixaços, lulaços… enfim, foi uma série de atividades muito criativas e muito diversas entre si, que mantiveram a campanha pela defesa do Lula em todo o país.
O terceiro eixo abordado pelo livro enfoca as questões jurídicas mais importantes do processo que levou a condenação a ser questionada e finalmente derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2019.
“O livro relembra os acontecimentos que tornaram possível desmontar as sentenças de Sérgio Moro e Gabriela Hardt, demonstrando que havia mecanismos de exceção em andamento e que se usou a estratégia do lawfare contra Lula”, explica Sereza.
O autor cita duas construções teóricas fundamentais feitas por juristas dedicados à causa democrática, organizados em associações como a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) e o Grupo Perorrogativas, e também por advogados e pensadores do direito em universidades e outros espaços.
Lula durante a prisão
O livro Um por todos, todos por Lula possui um capítulo especial para cada um dos três eixos principais da Campanha Lula Livre. Mas há também um quarto capítulo dedicado ao próprio líder petista, que aborda a forma como ele encarou desde a perseguição contra ele pela Lava Jato até seus 580 dias preso em Curitiba.

Haroldo Ceravolo Sereza com um exemplar do livro ‘Um por todos, todos por Lula’
Divulgação
“É um capítulo sobre como o Lula tratou a perseguição que sofreu desde quando sofreu a condução coercitiva e falou que tinham acertado não a cabeça da jararaca, mas o rabo da jararaca, e como ele construiu os seus argumentos de defesa, fez essas ideias circularem por meio de discursos, entrevistas pelo país e depois por meio das comunicações que ele tinha com o mundo exterior, graças a uma sofisticada operação de trabalho. O Lula trabalhou muito dentro da cadeia, não só ele lia, como ele escrevia para os seus companheiros, para todo mundo”, retrata o jornalista.
Para Sereza, “o papel do Lula é uma das explicações para o sucesso da campanha. Talvez não seja a única, nem a principal, mas ela é fundamental porque dá consistência para a Campanha, porque o Lula demonstra, desde o começo, ter muita capacidade de perceber o que estava acontecendo e o que poderia acontecer, ou seja, ter uma imaginação de como conduzir as coisas, que é realmente fantástica”.
Com o lançamento do livro às vésperas de um pleito no qual Lula tentará se eleger para um quarto mandato presidencial, o jornalista e editor analisa que lições a Campanha Lula Livre pode trazer para a campanha eleitoral que se aproxima.
“Foi uma campanha (a Lula Livre) muito criativa, muito enraizada em todo o território nacional e muito importante para fortalecimento de laços entre militantes em diferentes situações e por todo o país”, sugere.
Além de Okamoto e Stédile, o livro também traz entrevistas de figuras destacadas do cenário político nacional, como Fernando Haddad, José Genoino, Gleisi Hoffman, Celso Amorim, Preta Ferreira, Breno Altman e Cláudia Troiano, além de personalidades que foram cruciais durante a Campanha Lula Livre, como o jornalista Igor Felippe Santos, coordenador nacional da campanha e o ativista Roberto Baggio, um dos principais organizadores da Vigília.
Serviço:
Evento: lançamento do livro Um por todos, todos por Lula
Data: terça-feira, 28 de julho
Horário: 18h30
Local: livraria Expressão Popular (Alameda Nothman, 806, Campos Elíseos)
























