Espécie de vaga-lume. Filipo Tardim/Wikicommons

Insetos estão desaparecendo, com efeitos catastróficos

Estudo afirma que insetos podem desaparecer em um século se ritmo atual de declínio se mantiver, com consequências catastróficas para os ecossistemas. Agricultura intensiva e uso de pesticidas são principais causas

Redação

Deutsche Welle Deutsche WelleTodos os posts do autor

Mais de 40% das espécies de insetos em todo o mundo poderão estar extintas nas próximas décadas, e outro terço delas estão ameaçadas, revelou a primeira análise científica global sobre o tema. Segundo os autores, a taxa de extinção é oito vezes mais rápida do que as de mamíferos, répteis e aves, ameaçando um colapso dos ecossistemas da Terra.

A massa total de insetos é reduzida em 2,5% a cada ano, o que indica que eles poderão desaparecer em um século. Segundo o estudo, publicado no final de janeiro pelo jornal científico Biological Conservation, o planeta atravessa a sexta extinção em massa em sua história, com algumas perdas significativas registradas em algumas espécies de animais de grande porte, cujo desaparecimento é mais fácil de se observar. Os insetos, porém, existem em variedade e quantidade bem maior, chegando a um número 17 vezes superior ao de humanos.

"Se as perdas de espécies de insetos não forem interrompidas, haverá consequências catastróficas para os ecossistemas do planeta e para a sobrevivência da humanidade", disse ao jornal The Guardian o pesquisador da Universidade de Sidney Francisco Sánchez-Bayo, que elaborou o estudo com seu colega da Academia Chinesa de Ciências Agrárias Kris Wyckhuys.

"Em dez anos teremos um quarto a menos [de espécies de insetos], em 50 anos, apenas a metade, e em 100 anos não teremos nenhuma", alerta Sánchez-Bayo. Os insetos são fundamentais para o funcionamento adequado de todos os ecossistemas, atuando como polinizadores e recicladores de nutrientes e servindo de alimento para outros animais.

O colapso de algumas espécies já foi registrado em países como a Alemanha e em Porto Rico. Segundo um estudo, neste país houve uma redução de 98% dos insetos terrestres. Os indícios apontam para uma crise global. "As tendências confirmam que a sexta maior ocorrência de uma extinção em massa gera impacto profundo nas formas de vida no nosso planeta", afirmam os autores.

Agroecologia usa insetos para evitar agressão à terra

O estudo afirma que a maior causa do desaparecimento das espécies de insetos é a agricultura intensiva, em especial o uso de pesticidas. Novos tipos de inseticidas introduzidos nos últimos 20 anos, incluindo neonicotinoides e fipronil, causam danos significativos ao serem utilizados repetidamente, permanecendo no meio ambiente. Na Alemanha, um estudo mostrou que as populações de insetos voadores em reservas de proteção natural recuaram 75% ao longo de 25 anos.

Sánchez-Bayo afirmou que a produção de alimentos em escala industrial deve ser revista, destacando que as fazendas orgânicas têm mais insetos e também que o uso ocasional de pesticidas no passado não causava o declínio observado nas últimas décadas. Outros fatores que contribuem para o quadro atual são a urbanização, as espécies introduzidas e as mudanças climáticas.

Sánchez-Bayo diz que a redução das espécies de insetos começou no início do século 20 e se acelerou nos anos 1950 e 1960, atingindo proporções alarmantes nas duas últimas décadas. O fenômeno tem impacto em muitas espécies de aves, répteis, anfíbios e peixes que se alimentam desses animais. "Se sua fonte de alimento desaparecer, eles morrerão de fome", diz o pesquisador.

A análise global selecionou os 73 estudos mais completos realizados nos últimos 30 anos para avaliar a redução dos insetos. A maioria dos levantamentos foi realizada em países no oeste da Europa e nos Estados Unidos, além de Brasil, Austrália, China e África do Sul. Há poucos estudos sobre a redução das espécies de insetos em outras regiões.

Comentários