Analista questiona na Foreign Policy se invasão militar é solução para desmatamento na Amazônia

'Bolsonaro está acelerando o desmatamento na floresta amazônica e, assim, colocando em risco uma fonte global', diz professor de Harvard

Projetando o cenário político global em um futuro próximo, o professor de Relações Internacionais da Universidade de Harvard Stephen M. Walt questionou, em artigo publicado na revista Foreign Policy nesta segunda-feira (05/08), os métodos que a comunidade internacional irá utilizar para convencer países como o Brasil a interromper os ataques contra importantes patrimônios ambientais como o Amazônia e chegou a levantar a possibilidade de que o país sul-americano seja ameaçado com uma invasão militar para que proteja suas florestas. 

Intitulado "Quem irá invadir o Brasil para salvar a Amazônia?", o artigo assinado pelo especialista trata de meios e abordagens diferentes para convencer o Brasil a se engajar na luta contra o desmatamento e deixa claro que tais ideias só foram levantadas peplo professor após "as notícias de que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro está acelerando o desmatamento na floresta amazônica e, assim, colocando em risco uma fonte global".

"Quão longe você iria para prevenir um dano ambiental irreversível? Estados têm o direito, ou até a obrigação, de intervirem em um país estrangeiro para impedi-lo de causar um irreversível e, possivelmente, catastrófico dano ambiental?", questiona Walt.

Segundo o professor, a chamada doutrina da "responsabilidade de proteger", baseada no direito internacional aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, poderiam servir de base para uma possível intervenção - ou pelo menos uma ameaça - contra países que não se empenham no combate ao desmatamento.

"A doutrina de 'responsabilidade de proteger' poderia legitimar uma intervenção humanitária em países estrangeiros quando o governo local for incapaz ou indiferente a proteger seu próprio povo", afirma.

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'Bolsonaro está acelerando o desmatamento na floresta amazônica e, assim, colocando em risco uma fonte global', diz professor de Harvard

Entretanto, Walt não cita apenas o Brasil, mas também os países que mais emitem gases que colaboram para o efeito estufa: EUA, China, Índia, Rússia e Japão. O professor atenta para o fato que que todas essas nações, menos o Japão, são potências nucleares e que ameaças de dissuasão com tais Estados seriam muito arriscadas.

"Contudo, fazer o Conselho de Segurança [da ONU] autorizar o uso da força contra Estados mais fracos é improvável, porque os membros permanentes não irão querer estabelecer esse precedente", diz.

Com relação a uma operação militar contra Brasil, Walt deixa claro que não está "recomendando esse tipo de ação nem agora, nem no futuro. Apenas estou constatando que o Brasil pode ser mais vulnerável para se pressionar do que algum outro Estado".

O professor ainda cita outros tipos de ações por parte da comunidade internacional para impedir governos de cometerem ataques contra o meio ambiente. "Estados certamente poderiam ameaçar ou impor sanções comerciais unilaterais contra países ambientalmente irresponsáveis, e cidadãos individuais podem sempre tentar organizar boicotes voluntários pelas mesmas razões", afirma.

Para Walt, uma solução menos radical seria que "Estados que governem territórios ambientalmente sensíveis pudessem ser pagos para preservar [o meio ambiente], em interesse de toda a humanidade".

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