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Meio Ambiente

Na falta de gás russo, Alemanha recorre a 'energia suja'

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Berlim pretende reduzir rapidamente a dependência energética em relação a Moscou. Para tal, o gás não será mais empregado na produção de eletricidade. Voltam à cena dois inimigos do clima: carvão betuminoso e linhito

Insa Wrede

Deutsche Welle Deutsche Welle

Bonn (Alemanha)
2022-06-21T19:10:00.000Z

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A situação do abastecimento de gás na Alemanha é "uma espécie de queda-de-braço" em que de início quem possui o braço mais longo é o chefe do Kremlin, Vladimir Putin, definiu o ministro alemão da Economia, Robert Habeck, ressalvando: "Mas isso não significa que, com esforço, não possamos ter o braço mais forte."

Como há muito se temia, flui consideravelmente menos gás da Rússia para a Alemanha, e os citados esforços estão sendo rapidamente implementados. A meta principal é continuar enchendo os reservatórios antes da chegada da estação fria. No momento, a marca é de 57%; até 1º de outubro se espera chegar a 80%; e até início de novembro, 90%. Para continuar abastecendo os reservatórios, apesar do pouco afluxo de gás, o consumo precisa ser reduzido.

Mais energia do linhito e hulha

Cerca de 16% da eletricidade da Alemanha ainda é produzida em usinas movidas a gás. Isso pode mudar em breve: embora as fontes renováveis, que fornecem 42% da energia, não possam ser expandidas rapidamente, seria possível incrementar a produção em usinas a linhito ou a carvão betuminoso. No momento, 151 instalações ainda estão ativas para fins de abastecimento de energia no país.

Isso, no entanto, não significa renunciar aos planos de Berlim, definidos apenas dois anos atrás, de encerrar as usinas a carvão até 2038. Atualmente se cogita até abandonar o combustível fóssil ainda mais cedo, em 2030. Mesmo que por um breve período se queime mais carvão mineral, Habeck pretende manter ambas as metas.

De início, porém, só serão utilizadas usinas disponíveis em caráter restrito, seja por estarem prestes a ser desativadas, seja por integrarem uma reserva. O governo pretende, por exemplo, que só passem a produzir energia as "reservas de rede" – usinas mantidas basicamente para situações de emergência, e não integradas ao mercado energético regular.

Também poderá ser ativada a última reserva de energia do país, a "suplência de segurança". Esta inclui as usinas a linhito que, até sua desativação definitiva, servem como última salvaguarda para o abastecimento elétrico. Devido a seu baixo poder calorífico, o linhito é considerado bem mais nocivo ao clima do que o carvão betuminoso ou hulha.

blickwinkel/S. Ziese/dpa/picture alliance
Cerca de 16% da eletricidade da Alemanha ainda é produzida em usinas movidas a gás, mas isso pode mudar em breve

Energia suja provisória, "não" a usinas nucleares

As usinas a linhito da reserva alemã podem ser reativadas em prazo relativamente breve, anunciou nesta segunda-feira (20/06), na TV, a diretora-gerente da Confederação Alemã do Setor de Energia e Água (BDEW), Kerstin Andreae. O mesmo é possível com as usinas a carvão betuminoso, mas para tal o combustível precisaria ser importado.

Enquanto o linhito segue sendo extraído, no fim de 2018 foi fechada a última mina de hulha do país. Em 2021, mais da metade desse combustível fóssil ainda vinha da Rússia. Entretanto o produto pode ser substituído sem problemas, segundo Alexander Bethe, da Associação dos Importadores de Hulha.

Um projeto de lei prevê que esse aumento da energia do carvão mineral só vá até março de 2024. Antes da guerra na Ucrânia, a Alemanha importava da Rússia 55% de seu gás natural. Atualmente são apenas 35%, e até meados de 2024 a dependência deverá se limitar a 10%.

Um outro problema com a substituição do gás por carvão é que certas usinas a gás não produzem apenas eletricidade, mas também calor, transportado até o consumidor final através de redes térmicas.

Está descartada a alternativa de prorrogar o abandono da energia nuclear ou mesmo voltar atrás nele, simplesmente deixando-se seguirem em funcionamento as três usinas ainda em funcionamento, concluiu um estudo dos ministérios de Economia e Proteção do Clima e do Meio Ambiente e Defesa do Consumidor.

O presidente do importante conglomerado alemão de energia RWE, Markus Krebber, igualmente exclui a possibilidade de manter as últimas usinas nucleares do país operando para além de 2022.

Outras medidas

Além da retomada do carvão mineral, o verde Robert Habeck lançou outras ideias no mercado. Uma seria um modelo de leilão de gás, fornecendo à indústria incentivos financeiros para empregar menos desse produto que também é matéria-prima para a manufatura e para a produção de energia.

Segundo o presidente da Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas (VDMA), Karl Haeusgen, tal mecanismo "direciona a redução [do consumo] para onde ela causa menos danos".

Paralelamente, Berlim já se esforça para comprar gás de outras nações e começou a construir portos especiais para a importação de gás liquefeito. E, não menos importante, os consumidores alemães também podem contribuir para a economia de gás, reduzindo em alguns graus centígrados a calefação domiciliar.

Com tais medidas, o ministro da Economia pretende fortalecer os músculos da Alemanha para a queda-de-braço com a Rússia. Esta, contudo, ainda não empregou toda sua força, pois o combustível ainda flui pelos gasodutos, embora não no volume usual.

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Política e Economia

Organizações da Sociedade Civil tiveram direitos violados no governo Bolsonaro, diz associação

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Pesquisa feita com 135 organizações sociais de todas as regiões do país foi apresentada no Fórum Político de Alto Nível da ONU

Redação Opera Mundi

São Paulo (Brasil)
2022-07-05T21:50:00.000Z

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A Associação Brasileira de ONGs afirmou, por meio de uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (05/07) no Fórum Político de Alto Nível da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, que as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) foram submetidas a violações sistemáticas de direitos pelo Estado brasileiro no período entre 2019 e 2021.

O estudo, intitulado Criminalização Burocrática, foi feito a partir do levantamento do perfil de 135 organizações sociais de todas as regiões do Brasil, combinando abordagens qualitativa e quantitativa, incluindo ainda grupos focais e entrevistas entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022. Para conferir o relatório completo, clique aqui. 

“Desde o início do governo de Jair Bolsonaro, o que se observa é um aumento de desconfiança sobre o campo da sociedade civil organizada. Há uma escalada nas tentativas de criminalização das OSCs, com projetos de lei e outras medidas legais destinadas ao controle e restrição do espaço de atuação dessas organizações”, apontam os pesquisadores da pesquisa. 

Segundo a Abong, as organizações têm sido alvo de uma “série de ataques” por meio de medidas em âmbito administrativo que “visam dificultar a captação de recursos, impor pagamentos indevidos e, de forma geral, inviabilizar o trabalho das entidades”. 

Flickr
Segundo a Abong, as organizações têm sido alvo de uma “série de ataques” por meio de medidas em âmbito administrativo

“As informações também apontam que as OSCs têm sofrido, com o governo federal como agente, crimes de calúnia, difamação ou injúria, todos previstos no Código Penal”, diz a associação.

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