Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
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As extensas áreas florestais nas montanhas de Peloponeso, na Grécia, historicamente adaptadas às queimadas, estão ficando alaranjadas mesmo onde o fogo não chega, um efeito agravado pelo  aquecimento global, segundo o jornal The Guardian.

O pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Florestal de Algo-Dimitra (FRI), Dimitrios Avtzis, foi enviado para documentar as consequências de um incêndio florestal na primavera na região e  encontrou “centenas e centenas de hectares de árvores perdidas”, um sinal da vulnerabilidade crescente das florestas diante das mudanças climáticas.

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As montanhas do Peloponeso foram analisadas por Avtzis, que observou inúmeras paisagens queimadas, rastreando os focos de mortalidade esperados, bem como as árvores que sobreviveram às chamas. Mas, dessa vez, o nível de destruição foi superior aos anos anteriores, sendo necessário contatar o Ministério do Meio Ambiente grego.

Segundo o Guardian, pesquisadores da Grécia e da Europa Central alertam há anos que as mudanças climáticas levarão os ecossistemas locais a um território desconhecido. De acordo com dados do Observatório Global das Florestas, entre 2001 e 2004, a Grécia perdeu 200 mil hectares (500 mil acres) de árvores devido ao fogo.

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No entanto, os incêndios não são a única causa da morte de árvores, sendo que as forças que moldam as consequências dos incêndios florestais mudaram durante esses cincos anos, mas observada pelo pesquisador que observou o resultado de múltiplas pressões acumuladas, amplificadas pela crise climática.

Segundo os cientistas, o primeiro problema central é o clima seco e prolongado, sendo agravado por um declínio constante na quantidade de neve no inverno. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental e Desenvolvimento Sustentável e do Observatório Nacional de Atenas constatou que, entre 1991 e 2020, a Grécia perdeu, em média, 1,5 dias de cobertura de neve por ano, reduzindo uma das fontes mais importantes de umidade de liberação lenta do país.

  Árvores nas montanhas de Peloponeso queimadas
Insta: ugomellone

Impacto biológico

Em decorrência, o impacto biológico veio por meio da degradação do solo pela seca e a diminuição do lençol freático, enfraquecendo os abetos, criando uma brecha para os insetos.

“Sabemos que a seca severa enfraquece as árvores”, diz Avtzis. “Mas, ao analisarmos mais de perto o que estava acontecendo, descobrimos que os besouros da casca haviam se aproveitado da situação. Eles estavam atacando as árvores”.

Os besouros da casca, da subfamília Scolytinae, que perfuram a casca externa, atingindo os sistemas dos quais as árvores dependem para transportar água e nutrientes são ameaças crescentes para as florestas fragilizadas na Grécia nos últimos dois anos.

Durante a seca, as populações de besouros podem aumentar rapidamente, “quando uma população atinge níveis de surto”, diz Avtzis, “torna-se extremamente difícil controlá-la novamente”.

O fenomêno não se restringe apenas à Grécia. Besouros de casca se tornaram uma preocupação mais ampla na Europa, diz Avtzis, refletindo padrões observados em outras partes do continente. “O sul da Europa pode ser mais vulnerável, mas estamos observando dinâmicas semelhantes em países como a Espanha”, afirma.

Insta: ugomellone

Recuperação das florestas

De acordo com o climatologista florestal do FRI, Nikos Matos, a capacidade regenerativa dos ecossistemas mediterrâneos ainda permite certa recuperação, mas depende de gestão adequada e investimento público em reflorestamento e conservação.

“A regeneração pós-incêndio pode ser bastante satisfatória”, afirma, “mesmo em algumas áreas do Peloponeso”, afirma. Contudo, a recuperação é lenta e irregular: “Não é algo que possamos ver no primeiro ano, pode levar quatro ou cinco anos”, acrescenta Matos.

Na observação de Avtzis, para proteger as florestas das terras altas na Grécia “o governo e os ministérios precisam tomar iniciativa e mobilizar o financiamento necessário para enfrentar esse problema”.