Terça-feira, 20 de janeiro de 2026
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Um novo estudo publicado na revista Ostrich: Journal of African Ornithology revela um quadro alarmante para a sobrevivência dos pinguins-africanos: mais de 60 mil aves morreram de fome ao longo da última década e meia, devido ao desaparecimento das sardinhas, sua principal fonte de alimento.

Segundo o estudo científico, entre 2004 e 2012, a crise climática e a sobrepesca foram responsáveis pela morte de 95% das aves nas ilhas Dassen e Robben, suas mais importantes colônias na África do Sul. O caso não é restrito às ilhas sul-africanas, aponta o estudo.

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O estudo registra uma queda de quase 80% da espécie ao longo de três décadas. Em 2024, a espécie entrou para a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês), o que significa estar “criticamente ameaçada”, com menos de 10 mil casais reprodutores remanescentes.

O estudo explica que os pinguins-africanos se dirigem à costa e jejuam por 21 dias, quando trocam suas penas. Para isso, eles precisam se alimentar, no entanto, a disponibilidade das presas está cada vez mais escassa. “Grande parte da mortalidade provavelmente resultou da falha das aves em engordar o suficiente para mudar de pele”, diz o texto.

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Mais de 60 mil pinguins-africanos morreram de fome após colapso de sardinhas, diz estudo
Pam Ivey/Unsplash

A presença da Sardinops sagax, principal presa dos pinguins africanos, despencou para 25% na costa oeste sul-africana. O artigo ressalta que, entre 2005 e 2010, a taxa de exploração pesqueira de sardinhas a oeste do Cabo Agulhas se manteve 20% acima do registrado anteriormente, com pico de 80% em atividades exploratórias, em 2006.

Além da ação humana, o estudo também revela que mudanças de temperatura e a presença de sal nas águas vêm prejudicando a reprodução do peixe.

Segundo The Guardian, autoridades sul-africanas e organizações ambientais têm realizado medidas emergenciais para reverter as mortes das aves. Além da proibição da pesca da sardinha, as iniciativas consistem em construir ninhos artificiais para proteger filhotes, reabilitar os pinguins debilitados, controlar a ação de predadores e facilitar o acesso aos cardumes.