Reino Unido planeja cortar parte do financiamento climático, afirma jornal
Segundo Guardian, redução ignora informes de inteligência sobre como mudanças no clima podem afetar diretamente a população do país
O governo do Reino Unido planeja cortar em mais de um quinto o orçamento destinado aos países pobres afetados pela crise climática.
A medida contraria as promessas feitas por Londres de aumentar a ajuda financeira a essas nações, e ignora os alertas de ativistas de que o corte dessas verbas custará vidas e aumentará a desigualdade social.
Segundo uma reportagem do diário The Guardian, corte do financiamento climático para os países em desenvolvimento significaria uma redução dos 11,6 bilhões de libras (equivalentes a cerca de R$ 83 milhões) investidos nos últimos cinco anos para 9 bilhões de libras (cerca de R$ 64 milhões) nos próximos cinco anos.
A medida do governo britânico contraria alertas recentes dos órgãos de inteligênia do país, cujos informes indicam que a ajuda climática internacional impede que ecossistemas chave do mundo entrem em colapso, e que a falta desse financiamento pode gerar crises globais que atingiriam diretamente o Reino Unido, com problemas como inflação dos alimentos, instabilidade política e até guerras.
Ademais, a decisão acontece em um cenário no qual o Reino Unido e outros países desenvolvidos vêm prometendo triplicar o financiamento climático global para os países pobres, em reconhecimento aos desastres que esses países já enfrentam. Nesse sentido, uma redução por parte do Reino Unido dificulta o alcance da meta estipulada.
O diretor do think tank Power Shift Africa, Mohamed Adow, afirmou que “para os países vulneráveis, o financiamento climático do Reino Unido não é uma rubrica orçamentária abstrata – é a diferença entre resiliência e desastre. Cortá-lo neste momento custará vidas e meios de subsistência”.
Seguindo caminho de Trump
Além disso, a posição britânica representa um passo similar ao dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que retirou sua nação do Acordo de Paris e eliminou as metas de financiamento climático.
O The Guardian também informa que funcionários do governo britânico estão se apressando para “reclassificar” projetos existentes, focados em temas como educação ou saúde, no âmbito do financiamento climático. Também afirmaram que 30% da ajuda aos países menos desenvolvidos será contabilizada como financiamento climático, mesmo quando se tratem de projetos com pouca influência sobre a crise climática.
A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, não compareceu à COP30, cúpula climática realizada em novembro do ano passado, em Belém do Pará, no Brasil. Quem representou o país no evento foi o vice-chanceler David Lammy.
(*) Com Guardian.























