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Livro revela casos de crianças sequestradas pela ditadura militar no Brasil

São 19 histórias de bebês, crianças e adolescentes, filhos de militantes políticos e camponeses, que foram levados de seus pais biológicos e entregues a famílias de militares

Redação

São Paulo (Brasil)

Dezenove casos de bebês, crianças e adolescentes sequestrados por aparatos de repressão da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985) são revelados pelo jornalista Eduardo Reina em seu novo livro Cativeiro sem fim, que será lançado na próxima terça-feira (02/04) pela editora Alameda (R$ 54) em parceria com o Instituto Vladimir Herzog.

O livro-reportagem traz histórias inéditas de filhos de militantes políticos e de camponeses que foram levados de seus pais biológicos e entregues a famílias de militares ou de pessoas ligadas aos órgãos de repressão do Estado. 

Ouvindo os relatos das próprias vítimas - muitas que ainda procuram os pais biológicos - ou de familiares que tiveram filhos sequestrados que permanecem desaparecidos, o autor mostra que, mais do que sequestrar, os militares criaram redes com funcionários públicos, cartórios e juízes para acobertar e apagar os rastros dos crimes.

Segundo Reina, a história dos sequestros das crianças "é um segredo dentro do segredo da ditadura militar no Brasil". "Esse assunto foi escondido por todos os entes envolvidos, desde militares e governo federal, até polícia e afins", diz.


Araguaia

Dos 19 casos relatados pelo autor, 11 eram filhos de militantes e camponeses que participaram da guerrilha do Araguaia. Sobre os sequestros na região, Reina destaca o caso de Geovane, filho de Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, membro do PCdoB e um dos primeiros guerrilheiros a se estabelecer no Araguaia.

Geovane foi uma das crianças sequestradas pelas forças armadas e continua desaparecida. Porém, à época do crime, uma outra criança, que tinha características semelhantes às do filho de Osvaldão, foi levada por engano no lugar de Giovani, .

"A mágoa que eu tenho deles é de terem me tirado da minha família biológica. Hoje meus irmãos tem terra e gado e eu não tenho nada", diz Juracy, o menino levado por engano pelos sequestradores. Ele vive hoje em uma casa simples, em uma ilha do rio Araguaia.

Segundo Reina, o livro pretende ser um registro de crimes cometidos por agentes de repressão da ditadura e demonstrar a prática terrorista do Estado à época.

"Eu espero que esse trabalho seja o ponto de partida para novas pesquisas para poder desvendar e contar história da ditadura que estão escondidas", diz o jornalista.

Serviço
Lançamento de Cativeiro sem Fim, de Eduardo Reina
Haverá, no lançamento, um debate com a presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos, Eugênia Gonzaga, o jornalista e escritor Caco Barcellos e o autor
Data e horário: 2 de abril, terça-feira, às 19h
Local: Centro Universitário da USP (rua Maria Antônia, 258 - Consolação - São Paulo)
Preço do livro: R$ 54,00 (compre no site da editora Alameda)

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