Espanha e Marrocos fortalecem cooperação para controlar nova crise migratória em Ceuta
Madri acionou Forças Armadas para auxiliar Guarda Civil na fronteira onde milhares de migrantes atravessaram; pelo menos dez morreram afogados
Os governos da Espanha e do Marrocos concordaram nesta quinta-feira (30/07) em fortalecer a coordenação migratória diante da recente entrada de milhares de migrantes na cidade de Ceuta, no norte da África. Desde as primeiras horas do dia, grupos de jovens, em sua maioria do Magrebe, fizeram fronteira com o quebra-mar de Tarajal para acessar território autônomo.
Inicialmente, o presidente de Ceuta, Juan Vivas Lara, pediu ao governo do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez que declarasse estado de emergência nacional e fechasse a fronteira marítima. A segunda medida foi adotada, mas a primeira foi rejeitada devido à legislação espanhola que não considera os movimentos migratórios como um risco para ativar tal mecanismo. Por outro lado, as Forças Armadas espanholas foram mobilizadas para auxiliar a Guarda Civil no controle da fronteira.
Embora um relatório da Guarda Civil local tenha colocado o número de migrantes que nadaram pela fronteira em mais de 5.000, o portal venezuelano teleSUR apurou que as autoridades haviam sido sobrecarregadas pela movimentação massiva de migrantes e era difícil estimar quantos realmente haviam chegado no território autônomo.
Outros relatos apontaram que entre 2.000 e 3.000 pessoas passaram na travessia da fronteira, principalmente jovens que cruzaram nadando ou com pequenos flutuadores do Marrocos para Ceuta. As autoridades locais encontraram 10 corpos nas águas e estavam procurando pelo menos outros seis.
A mesma situação ocorreu em 2021, quando mais de 8 mil migrantes entraram na região em menos de 48 horas, provocando uma grave crise humanitária e diplomática entre as autoridades espanholas e marroquinas.
O Ministério do Interior espanhol afirmou em nota que ambos os países reafirmaram que lidarão com os fluxos migratórios e se comprometeram a revisar e implementar medidas para a entrega de todas as pessoas que entraram ilegalmente na cidade de Ceuta.
O ministro da pasta, Fernando Grande-Marlaska agradeceu aos esforços das forças de segurança marroquinas que, conforme o comunicado, impediram nos últimos dias milhares de tentativas de migração irregular.”Redes de tráfico humano estão instrumentalizando uma decisão judicial para incentivar o fluxo de migrantes indocumentados, principalmente jovens”, disse.
Por sua vez, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que o Executivo “está focado em dar uma resposta imediata à situação em Ceuta”. Por redes sociais, anunciou ter transmitido ao presidente Juan Vivas Lara que seu governo está “mobilizando todos os recursos necessários, trabalhando com as autoridades marroquinas e internacionais, e preparando as medidas necessárias para restaurar a normalidade o mais rápido possível”.
El Gobierno de España está volcado en dar una respuesta inmediata a la situación en Ceuta.
Estamos movilizando todos los recursos necesarios, trabajando con las autoridades marroquíes e internacionales, y preparando las medidas necesarias para recuperar la normalidad lo antes…
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) July 30, 2026
A Comissão Europeia afirmou que acompanha de perto a situação e declarou prontidão para ampliar o apoio financeiro e operacional à Espanha, inclusive por meio da agência europeia de fronteiras Frontex.
(*) Com Ansa e Telesur























