Notas internacionais: França se mobiliza contra reforma da previdência de Macron

Eleições legislativas no Irã, atentado de extremista de direita na Alemanha, dívida pública da Argentina e inabilitação de Morales na Bolívia: destaques desta sexta, 21 de fevereiro

Ana Prestes

Brasília (Brasil)

- Hoje (21/02) é dia de eleições legislativas no Irã. Uma das grandes preocupações dos líderes iranianos é com a baixa participação da população na votação. Tanto o líder supremo Ayatollah Ali Khamenei, como o presidente Hassan Rouhani, fizeram pronunciamentos pedindo à população que vote. Serão eleitos os 290 representantes do parlamento iraniano e cerca de 58 milhões de pessoas estão aptas para votar. Há muitas críticas pela inabilitação de milhares de candidatos, a maioria de reformistas e moderados, fazendo com que a eleição fique polarizada entre ultraconservadores antiocidente e conservadores que aceitaram o acordo nuclear de 2015, por exemplo. O Irã possui cerca de 250 partidos.

- Paris e outras cidades francesas tiveram ontem mais um dia de protestos contra a reforma da previdência. As mobilizações acontecem desde o dia 5 de dezembro. O projeto de Macron entrou em discussão no parlamento francês no dia 7 de fevereiro e já recebeu cerca de 41 mil emendas.

- Na Alemanha, 11 pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas após um tiroteio em bares frequentados por imigrantes na cidade de Hanau, nas proximidades de Frankfurt. O autor dos disparos, que já foi identificado pela polícia alemã, se chama Tobias R. e também foi encontrado morto em seu apartamento junto ao corpo de sua mãe. A imprensa alemã divulgou vídeos e textos que teriam sido escritos por ele com conteúdos como: “há determinados povos, cuja expulsão da Alemanha não é possível, que devem ser exterminados.” Vários dos mortos são de origem curda.

- “A dívida pública argentina não é sustentável”. Quem disse isso ontem (20/02) não foi o governo de Fernández, mas o FMI. Segundo o presidente argentino, “pela primeira vez em sua história o banco faz um reconhecimento semelhante”. O próprio representante do fundo deu uma declaração ontem dizendo que o superávit fiscal necessário para pagar a dívida não é factível econômica e politicamente.

- Já é certo que Evo não poderá concorrer ao senado nas próximas eleições de 3 de maio na Bolívia. O presidente do TSE boliviano, Salvador Romero, informou sua inabilitação e também a de seu ex-chanceler Diego Pary, por não cumprirem o requisito de residência permanente. Seria mesmo incrível que as mesmas instituições que chancelaram o golpe de novembro passado abrissem a porta para o retorno triunfante dos dirigentes do MAS ao poder. A inabilitação de Evo é mais um sinal de que as eleições de maio serão bastante tensas e conturbadas.

- O escritor Abel Prieto é o novo presidente da fundação cubana Casa das Américas, instituto cultural que possui mais de sessenta anos fundado por Haydée Santamaría e presidido pelo poeta Roberto Fernández Retamar até seu falecimento no ano passado. Prieto é autor de livros como Noite de sábado e O voo do gato e foi ministro da Cultura em Cuba de 1997-2012, além de assessor de Raul Castro. Ele está na Argentina e foi entrevistado por Silvina Friera para o Página 12. Na entrevista, ele diz: “vocês devem ter tido muita gente humilde que votou no macrismo. Muita gente humilde votou por Bolsonaro ou votou por Trump. Esses demagogos fascistoides podem enganar através dos grandes meios de comunicação e as redes sociais. Uma das grandes tarefas é trabalhar para articular os núcleos de resistência cultural que existem em nossa região”.

- O primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, renunciou ontem (20/02), mas se mantém no cargo até a formação de novo governo. O país passou por eleições legislativas recentes e seu partido, Fine Gael, ficou na terceira posição em número de votos. Aliás, os dois partidos hegemônicos há anos, o Fianna Fail e Fine Gael, perderam muito com as eleições. O grande vitorioso foi o Sinn Féin, um partido nacionalista, que defende a reunificação da Irlanda (dividida desde 1921) e com forte agenda social, mas que não consegue formar governo apenas com seus parlamentares.

- Na Ucrânia, um grupo atacou um ônibus e fez barricada para impedir sua passagem. Tratava-se do transporte de cerca de 70 pessoas entre ucranianos e estrangeiros que foram retirados de Wuhan na China e eram transportados para o local em que ficarão em quarentena. O episódio demonstra a radicalização da agressividade e do pânico gerado pelo coronavírus. Tal comportamento em diferentes proporções tem sido verificado contra chineses e asiáticos em geral em várias partes do mundo. Inclusive um jornal americano, o Wall Street Journal, teve seus jornalistas descredenciados pelo ministério das relações exteriores da China após publicar um artigo intitulado “China é o Real Homem Doente da Ásia”. Mike Pompeo se pronunciou dizendo que a China não deveria restringir a expressão. Enquanto isso, foram confirmadas as primeiras mortes por infecção pelo covid19 de passageiros do cruzeiro Diamond Princess atracado no Japão. Trata-se de um homem e uma mulher, ambos com cerca de 80 anos. Já são 621 os infectados dentro da embarcação, sendo que a maioria já foi retirada para tratamento nos hospitais de Yokohama. Neste momento são 76.727 os casos de infecções, com 2247 mortes e 18.799 recuperações.

- Começou ontem (20/02) a 70ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim e o Brasil participa com 19 filmes, entre longas, curtas e coproduções. Brasil está entre os concorrentes ao Urso de Ouro, que é o principal prêmio do festival.

- Estão circulando na internet as pérolas machistas, racistas,  antiminorias, antissindicatos e pobres em geral do presidenciável democrata Bloomberg. Em uma delas ele diz a uma mulher que reclama por não ter quem a ajude com as crianças: “é só uma criança. Tudo que você precisa é de uma mulher negra que nem precisa falar inglês e que o possa salvar caso o prédio pegue fogo”.

- O parlamento português votou ontem pela despenalização da eutanásia e o projeto foi aprovado. Outros países como Holanda, Luxemburgo e Bélgica também já legalizaram a prática. 

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