Site de jornal das Malvinas chama Cristina Kirchner de 'bitch'

Termo já foi retirado do ar

Luciana Taddeo

O jornal Penguin News, produzido nas ilhas Malvinas, publicou, na última terça-feira (07/02), uma foto de Cristina Kirchner, à qual denominou como “bitch” (“vagabunda”, em inglês) na url de seu site. A imagem ilustrava uma nota sobre o anúncio da presidente argentina, feito no dia anterior, a respeito da denúncia que o país fará à ONU (Organização das Nações Unidas) contra o que considera uma militarização do Atlântico Sul pelo Reino Unido.

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O registro na rede gerou repercussão na imprensa argentina. Os jornais La Nación e Perfil comentaram o sucedido em notas publicadas em seus sites, reproduzindo a imagem de Cristina abaixo do link que mostrava o adjetivo. Nesta quarta-feira (08/02), a url com a palavra já havia sido desativada.

Em uma reportagem publicada nesta semana, o jornal Clarín mostrou rechaço dos habitantes da ilha em relação às reivindicações argentinas pela soberania do território. Um dos exemplos mencionados pelo veículo é a venda, por comerciantes da ilha, de canecas que mostram o mapa da América do Sul sem o território argentino.

As ilhas Malvinas, que estão sob domínio do Reino Unido desde 1833, são alvo de disputa entre a Argentina e o governo inglês. A tensão aumentou nas últimas semanas, com a proximidade do aniversário de 30 anos da guerra pelo arquipélago, ocorrida entre abril e junho de 1982, que terminou com a rendição argentina e resultou na morte de 255 soldados britânicos, 649 argentinos e três residentes do arquipélago.

Há duas semanas, o primeiro-ministro britânico David Cameron informou ao Parlamento que tinha convocado o Conselho Nacional de Segurança para tratar a situação no Atlântico Sul e acusou a Argentina de "colonialismo" por reivindicar a soberania das ilhas. Cristina Kirchner, por sua vez, acusa o Reino Unido de “irresponsável” pelo envio de um destróier à região marítima e afirmou o território não pode ser tratado como um “troféu de guerra”.

Em dezembro, os países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – decidiram bloquear a entrada em seus portos de navios com bandeira das Malvinas. No último fim de semana, os integrantes da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), também aprovaram o apoio do grupo à reivindicação de soberania sobre as Ilhas Malvinas.

Hugo Chávez afirmou que se o “Império Britânico” agredir a Argentina, o país não estará sozinho. O equatoriano Rafael Correa chegou a propor que a Alba imponha sanções ao Reino Unido frente às recusas britânicas em dialogar sobre a disputa pelo arquipélago. Nicarágua, Cuba, São Vicente e Granadinas, Dominica e Antígua e Barbuda também aderiram à decisão de impedir a entrada de navios com bandeira das ilhas Malvinas em seus portos.

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