Hoje na História: 1982 - Banqueiro Roberto Calvi é encontrado enforcado em Londres

Chefe do Banco Ambrosiano possuía ligações suspeitas com o Vaticano

Max Altman

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No dia 19 de junho de 1982, o corpo do banqueiro italiano Roberto Calvi, de 62 anos, foi encontrado enforcado na ponte Blackfriars em Londres.

Conhecido como o “banqueiro de Deus”  devido a suas estreitas ligações com o Vaticano,  ele era o presidente do Banco Ambrosiano, de Milão, e figura central de uma complexa rede internacional de fraudes e conspirações.

Foi dado como desaparecido nos nove dias anteriores à descoberta de seu corpo, que foi visto suspenso por uma corda presa a um andaime à beira do rio por um transeunte. A polícia tratou o caso como suicídio.

Calvi tornou-se presidente do Banco Ambrosiano, à época o maior banco da Itália, em 1975 e construiu um vasto império financeiro. Em 1978, um relatório do Banco Central da Itália sobre o Ambrosiano concluiu que bilhões de liras haviam sido ilegalmente desviadas para fora do país.

Em maio de 1981, Calvi foi preso, considerado culpado e condenado a quatro anos de prisão. Contudo, foi libertado provisoriamente após recorrer a uma instância superior. Durante sua curta permanência no cárcere, tentou o suicídio.

Mais tarde, no mesmo mês, foi processado por suposta fraude envolvendo contratos de propriedade com o banqueiro siciliano Michele Sindona, que, por sua vez, serviu nos EUA ao Franklin National Bank de Nova York até sua falência, em 1974.

O Vaticano estava diretamente ligado a Calvi por intermédio do arcebispo Paul Marcinkus, guarda-costas do papa e um dos chefes do Banco do Vaticano, que tinha participação acionária no Ambrosiano.

O Ambrosiano estava à beira do colapso com a revelação pela imprensa de um rombo de centenas de milhões de dólares em sua contabilidade. Diante disso, a direção executiva do banco decidiu retirar de Calvi toda sua autoridade. O Tesouro italiano interveio e dissolveu toda a administração do banco, passando-a interinamente ao Banco da Itália.

Calvi foge para Veneza e barbeia seu bigode para não ser reconhecido. Dali teria partido em um avião privado para Londres. No dia anterior em que foi encontrado morto, sua secretária cometeu suicídio em Milão, atirando-se do quarto andar da matriz do banco. Teresa Corrocher, de 55 anos, deixou um bilhete raivoso condenando seu patrão pelos danos morais e materiais cometidos contra o Ambrosiano e seus empregados.

Mais tarde, revelou-se que Roberto Calvi havia sido encontrado com cinco tijolos nos bolsos. A suspeita era de que queria se matar atirando-se no rio Tâmisa. Além do mais, tinha em seu poder 14 mil libras em três diferentes moedas.

Em 23 de julho um júri de investigação confirmou a tese de suicídio. Em outubro de 2002, peritos criminais indicados pela justiça italiana concluíram que o banqueiro havia sido assassinado. Afirmaram que o pescoço não mostrava qualquer ferimento habitualmente associado à morte por enforcamento e que suas mãos jamais tocaram os tijolos encontrados em seus bolsos. O arcebispo norte-americano Paul Marcinkus foi convocado para prestar depoimento, porém lhe foi concedida imunidade por ser empregado do Vaticano. Aposentou-se em 1990 e morreu em 2006.

Em outubro de 2005, cinco pessoas foram levadas a julgamento em Roma: o financista sardo Flavio Carboni, sua ex-namorada Manuela Kleinszig, o empresário romano Ernesto Diotallevi, o ex-guarda-costas de Calvi, Silvano Vittor e o tesoureiro confesso da Cosa Nostra, Pippo Calo. Todos eram suspeitos de envolvimento com o caso, mas acabaram absolvidos em junho de 2007 por falta de provas.

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