Hoje na História: 1974 - Golpe de Estado depõe presidente do Chipre

Guarda Nacional destruiu o palácio presidencial e abriu espaço para a ascensão do nacionalismo ao poder

Max Altman

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No dia 15 de julho de 1974, a Guarda Nacional do Chipre, liderada por oficiais gregos, encabeçou um golpe de Estado favorável à incorporação à Grécia e derrubou o presidente Makarios.

Forças turcas invadiram o território do Chipre e, um mês depois, passaram a controlar militarmente o norte da ilha. Os cipriotas turcos estabeleceram um governo de facto, mas não buscaram reconhecimento como país soberano.

Às 08h30, 25 tanques da Guarda Nacional chegaram ao palácio presidencial, defendido por 150 homens da Polícía Tática de Reserva e 40 da Guarda Presidencial, e iniciaram o bombardeio. Ao mesmo tempo, a Rádio Nacional, o centro de telecomunicações e o aeroporto da capital Nicósia foram ocupados. O palácio presidencial foi destruído.

Makarios, que estava recebendo uma delegação de crianças do Cairo, pôde apenas escapar pelo jardim de trás. Foi transportado para a casa de campo de Palechori e dali conduzido ao Mosteiro de Kikkos, nas montanhas de Troodos. De lá passou a Pafos, de onde emitiu um comunicado radiofônico informando a população que estava vivo e conclamando os cipriotas à resistência.

O general Yiorgitsis buscou alguma personalidade que pudesse ser colocada à frente da república. Nicos Sampson, um ativista da EOKA (Organização Nacional de Combatentes Cipriotas, partido nacionalista greco-cipriota que lutou pela expulsão das tropas inglesas da ilha de Chipre e sua união com a Grécia), foi o escolhido.

As relações greco-cipriotas haviam se deteriorado em 1973 com as mudanças na Junta Militar que governava a Grécia. Seu novo homem forte, general Dimitrios Ioannides tinha uma postura mais rígida e anticomunista que o derrocado em 23 de novembro de 1973, o coronel Georgios Papadopoulos. Depois da ascensão do general Phaedon Gizikis por um outro golpe de Estado, a Grécia adotou uma postura hostil contra Makarios.

Em 6 de junho de 1974, Makarios denuncia publicamente que Atenas estava financiando a EOKA. Em 2 de julho, envia uma carta ao general Gizikis, afirmando que Atenas organizava ações terroristas por meio da Seção 2 do Quartel General do Exército e exigiu a retirada dos 650 oficiais gregos que serviam na Guarda Nacional.

Posteriormente, negociações políticas em Genebra entre a Grã-Bretanha, Turquia, Grécia e as duas comunidades cipriotas fracassaram. Apesar de Makarios poder reassumir a presidência em 1975, um Estado Federado Turco de Chipre foi formado na zona ocupada no norte do país em fevereiro de 1975. Compreendia cerca de 35% da ilha e tinha seu próprio presidente, Rauf Denktash. O governo, no entanto, era  reconhecido apenas pela Turquia. Em novembro de 1983, proclamaram a independência da República Turca de Chipre Setentrional, com capital em Lafkosha, um Estado de fato que atualmente só é reconhecido pela Turquia e pela Organização da Conferência Islâmica.

O Sul permaneceu sob controle grego. O governo desta zona continuou sendo a autoridade internacionalmente reconhecida da República de Chipre. Ao longo do processo, cerca de 20 mil greco-cipriotas abandonaram o setor sob controle turco e cerca de 50 mil turco-cipriotas saíram do sul para refugiar-se nessa área. A Grã Bretanha manteve uma importante base aérea na zona sob controle grego e um centro de inteligência. A partir de meados da década de 1980 iniciaram-se conversações acerca da reunificação, sem qualquer êxito.

Com a morte de Makarios, Spyros Kyprianou assumiu a presidência. Em 1988, Gueorghios Vassiliou sucede a Kyprianous. Em 1990, Chipre solicita admissão na Comunidade Europeia e, em 1993, Glafcos Clérides é eleito presidente. Ele é reeleito em 1998.

A república turca não foi reconhecida pela comunidade internacional, mas os países que mantêm relações com Chipre continuam a ter contatos informais com seu líder. A população da ilha está dividida em 80% de greco-cipriotas e 20% de turcos-cipriotas. O nível de vida no setor grego é superior ao da Grécia continental.

Depois de uma nova crise em janeiro de 1997, causada pela compra de mísseis russos por parte do governo greco-cipriota, os presidentes Klerides e Denktash iniciaram um diálogo com o intuito de chegar à reunificação de Chipre.

Em 2003, Tassos Papadopoulos foi eleito presidente. A República de Chipre aderiu formalmente à União Europeia em 1º de maio de 2004. Há um plano em curso para a reunificação apoiado pelas Nações Unidas, apesar de, num referendo, 76% dos greco-cipriotas terem votado contra.

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