Legalização da maconha e união gay em referendos marcam eleição nos EUA

O uso recreativo da droga foi aprovado no Colorado e em Washington e a união homossexual no Maine e Maryland

Marina Mattar

O presidente Barack Obama não foi o único vitorioso nas eleições desta terça-feira (07/11) nos Estados Unidos. As liberdades e os direitos civis dos norte-americanos também conquistaram avanços históricos em referendos estatais e ativistas previram que se trata do início de uma série de outras mudanças. 

A maconha foi legalizada pela primeira vez na história norte-americana no Colorado e em Washington e o casamento gay foi reconhecido legalmente no Maine e em Maryland por meio do voto popular. Os eleitores de Minnesota e de Washington também aprovaram leis que permitiam a união entre pessoas do mesmo sexo, estabelecidas pelos governos locais no início deste ano, e rejeitaram qualquer tipo de modificação em seu texto. 


Outras medidas consideradas progressistas não alcançaram o mesmo sucesso nos plebiscitos, mas muitas configuraram disputas acirradas. Em Massachussets, por exemplo, venceram com diferença de 2% os eleitores que reprovavam a autorização do suicídio em pacientes terminais. 

Os plebiscitos, assim com as disputas eleitorais nos EUA, foram antecedidos por campanhas publicitárias intensas e, por vezes, milionárias. Organizações contrárias ou favoráveis às medidas votadas lançaram propagandas nas redes televisivas e nas emissoras de rádio, além de utilizarem ativistas e voluntários nas ruas. 

Grupos que lutam pelos direitos da comunidade gay, como o Human Rights Campaign, gastaram mais de 5 milhões de dólares no Maine e em Maryland e a indústria alimentícia chegou a investir mais de 44 milhões de dólares na Califórnia para convencer o eleitorado a votar contra a obrigatoriedade de indicar a presença de ingredientes transgênicos nos rótulos dos produtos. Nas últimas cinco semanas, o gasto elevado em anúncios na televisão conseguiu reverter a tendência eleitoral prevista e a proposta de rotular os alimentos geneticamente modificados perdeu por 53%.

Casamento gay

Também foi a primeira vez na história norte-americana que os eleitores aprovaram o casamento gay. Desde os anos 1990, 32 Estados do país organizaram referendos sobre o tema e em todos esses, a maioria dos eleitores se opôs à medida.  

 “Por anos, os nossos adversários argumentaram que nós não conseguiríamos conseguir a maior parte dos votos nos plebiscitos. Hoje, os eleitores provaram que eles estão errados”, disse Marc Solomon, diretor nacional da campanha Liberdade para Casar. A votação no Maine foi muito representativa neste sentido, pois há três anos, o eleitorado deste Estado reprovou, em plebiscito, o casamento gay.



Com o sucesso nas urnas do Maine, de Maryland, Washington e Minnesota, ativistas que lutam pelos direitos civis apontam que as conquistas da comunidade gay estão apenas começando. “Nós sempre vamos olhar para este ano como um ponto de virada (“turning point”) no movimento pela cidadania plena das pessoas LGBT”, disse Chad Griffin, presidente da Human Rights Campaign. 

Uma pesquisa da rede CNN divulgada nesta terça-feira (06/11) também confirmou a perspectiva positiva em relação aos direitos civis dos gays nos EUA. A maioria dos norte-americanos entrevistados (54%) apoia o reconhecimento legal da união entre pessoas do mesmo sexo. O resultado mostra uma mudança significante de três anos atrás, quando apenas 44% expressaram seu apoio à lei.

Legalização da maconha

 

Os norte-americanos também têm demonstrado uma tendência crescente de aprovar medidas mais permissivas em relação ao uso de drogas, segundo indicam diversas pesquisas.

Estudos do Instituto Gallup e do centro Polling Report mostram que desde 1969 até os dias atuais, cerca de metade da população do país passou a aprovar a legalização da maconha (veja gráfico ao lado).

“Foi a primeira vez que um Estado norte-americano votou para legalizar a maconha – e dois deles aprovaram a medida”, afirmou Tom Angell, porta-voz da organização Law Enforcement Against Prohibition que reúne membros das forças policiais e da justiça criminal dos EUA favoráveis a legalização das drogas. A medida venceu com 55% dos votos no Colorado e com 52% em Washington, de acordo com as informações disponíveis até a publicação desta notícia. 

Apesar da vitória histórica, os defensores da descriminalização do uso das drogas alertam que ainda não é certo como as medidas serão aplicadas. Isso porque o resultado no Colorado e em Washington, que já têm leis que legalizam o consumo da maconha para fins médicos, colocam as suas legislações em situação de conflito com o governo federal, que classifica a maconha como um narcótico ilegal.

 “Quando estes Estados tentarem implementar essa lei, veremos um esforço dos oficiais federais em proibi-la”, alertou Kevin Sabet, assessor do Escritório de Controle Nacional das Drogas, a rede NBC. O governador do Colorado, o democrata John Hickenlooper, que se opôs à legalização da maconha, disse para os cidadãos do Estado não se apressarem e fez uma menção jocosa aos efeitos do entorpecente. 

“Nosso trabalho no Colorado e em Washington ainda não está completo”, disse Angell. “Nós ainda precisamos trabalhar em como implementar efetivamente essas leis... para, assim, mostrar que quando legalizamos a maconha, o mundo não acaba”, acrescentou.

Confira as outras medidas que foram temas de referendos nas eleições desta terça (06/11):

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