Presidente peruano nega indulto humanitário a Fujimori

Ollanta Humala seguiu recomendações de relatório técnico que apontam que ex-ditador não tem doença terminal

Redação

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O presidente do Peru, Ollanta Humala, negou nesta sexta-feira (07/06) indulto humanitário ao ex-presidente Alberto Fujimori. O chefe de Estado seguiu as recomendações feitas pela Comissão de Graças Presidenciais que avaliou o caso, informou em entrevista coletiva o ministro da Justiça, Daniel Figallo.

"No dia de hoje o presidente da República tomou a decisão de aceitar a recomendação da Comissão de Graças Presidencial, que não recomenda a concessão do indulto", afirmou Figallo.

"Como consequência, o presidente da República não exerce seu poder de indultar o senhor Alberto Fujimori", acrescentou o ministro.

Mais tarde, Humalla concedeu uma entrevista no Palácio de Governo na qual justificou sua decisão: "aceitei as recomendações pois me pareceram sensatas, lógicas. Me parecem que se apegam na verdade e na justiça".

"Posso assegurar que o senhor Alberto Fujimori é o cidadão preso que está em melhores condições no Peru", garantiu.

Fujimori cumpre uma condenação de 25 anos de prisão pela participação no assassinato de 25 pessoas e em dois sequestros durante seu governo (1990-2000), além de penas menores por corrupção.

Em outubro de 2012, Fujimori enviou uma carta a Humala, através de seus filhos, apoiando o pedido de indulto feito pelos seus quatro filhos. Ele também solicitou a Humala uma decisão "franca, direta e objetiva".
 


Desde então, quase toda semana o tema sobre a sua saúde ou a concessão de uma possível anistia para Fujimori é abordado na mídia. A última vez foi no fim de semana passado (01/06), quando o ex-presidente enviou um áudio divulgado por uma rádio local em Lima dizendo que 12 médicos de uma junta se pronunciaram, unânimes, "a favor de um prognóstico reservado a uma pessoa de 74 anos".

Fujimori também definiu a prisão como "um quase isolamento" sob "um regime de silêncio obrigatório". Foi o primeiro áudio que Fujimori enviou a meios de comunicação – as mensagens anteriores tinham sido por escrito.

Figallo declarou que Fujimori "não tem doença terminal", "doença grave, incurável e degenerativa", nem "transtornos mentais graves, insolúveis e incuráveis".

"Os fatos e as condições não se ajustam a um indulto humanitário", defendeu.

Sobre o estado de Fujimori, Humala disse ainda que foi tomada uma série de medidas para atender "os requerimentos de uma pessoa em idade avançada".

O advogado do ex-presidente, César Nakasaki, criticou a decisão de Humala.
 

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