Cuba liberta norte-americano acusado de espionagem em troca dos últimos 3 dos Cinco Cubanos

Obama e Castro devem anunciar mais medidas em relação entre os dois países nas próximas horas; detenções eram vistam como obstáculos

Redação

Atualizada às 14h46

Após cinco anos de prisão, Cuba libertou nesta quarta-feira (17/12) o norte-americano Alan Gross, que cumpria pena de 15 anos na ilha por espionagem. Em troca, Washington libertou também os últimos três dos Cinco Cubanos presos nos EUA, também acusados de espionagem.

Gross estava em Cuba, segundo o governo dos EUA, para distribuir equipamentos via satélite com o objetivo de “promover a democracia” no país. Já os cubanos estavam em território norte-americano em operaçõers de contrainteligência.

As libertações representam o maior sinal de mudança nas relações EUA-Cuba desde a imposição do embargo à ilha, em 1961.

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Gross chegou à base aérea de Andrews, nos EUA, pouco antes do meio-dia locais (Washington está três horas atrás de Brasília).

O presidente Barack Obama deve anunciar também, ainda nesta quarta-feira, outras medidas em relação a Cuba. Está previsto também que o presidente cubano Raúl Castro faça um pronunciamento hoje.

Arquivo pessoal

Gross estava preso há cinco anos em Cuba e foi libertado nesta quarta-feira (17/12)

Alan Gross

Gross trabalhava para a Development Alternative, Inc (DAI), contratada pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, por sua sigla em inglês), que responde ao Departamento de Estado.

De acordo com Washington, Gross estava em Havana para ajudar os membros da comunidade judaica cubana a “se conectarem com outras comunidades judaicas do mundo”. Mas a mesma comunidade judaica de Havana contradiz a versão oficial dos Estados Unidos e da família Gross.

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No ano passado, Gross enviou uma carta a Obama pedindo sua libertação. “Com o maior respeito, senhor presidente… temo que meu governo, o mesmo governo ao qual eu servia… tenha me abandonado”, disse.

Já em 2014, a esposa de Alan, Judy Gross, pediu que Obama interviesse “antes que fosse tarde demais. Meu marido está pagando um preço terrível por servir ao país e à sua comunidade”.

Desde julho deste ano, Gross se negava a receber visitas da família e da equipe do Escritório de Interesse dos Estados Unidos em Havana, em protesto pelo que considerava falta de ação por parte do governo de Washington para obter sua libertação.

Na ocasião, Washington classificou como “muito decepcionante” que Havana não tenha aceitado libertá-lo e ressaltou que estava utilizando “todos os canais diplomáticos para pressionar sua libertação”.

Cinco Cubanos

Os “cinco heróis”, como são conhecidos em Cuba, foram presos na Flórida em 1998 e, três anos mais tardes, condenados pela Justiça do país por espionagem e envolvimento no abatimento de dois aviões.

O próprio governo cubano reconheceu publicamente que Gerardo Hernández, René González, Tony Guerrero, Fernando González e Ramón Labañino eram agentes do serviço secreto de Cuba infiltrados nos Estados Unidos. Os cinco faziam parte de uma complexa operação batizada como Rede Vespa. Instalados na Flórida e disfarçados de desertores do regime cubano, o esquadrão de 14 integrantes tinha a tarefa de munir Havana com informações sobre as organizações terroristas anticastristas que operavam no país.

Wikimedia Commons

Hernandez, Medina, Guerrero, Gonzalez e Campa: os cinco agentes cubanos condenados pela Justiça dos EUA 

Com o colapso da União Soviética, a ilha comunista do Caribe foi obrigada a assistir à drástica redução do seu orçamento, fortemente dependente das parcerias comerciais com os russos. Diante do período especial, Fidel Castro viu no turismo de luxo uma alternativa viável para afrouxar as contas nacionais e reverter a dramática redução do PIB.

Diante desse quadro, as organizações anticastristas de Miami não deixaram por menos. Criadas por cubanos exilados que fugiram do país após o triunfo da Revolução em 1959, todas elas tinham o objetivo explícito de lutar pelo fim do comunismo cubano e pela queda do líder Fidel Castro. Algumas delas, inclusive, não faziam questão de esconder que apoiavam e financiavam ações terroristas para alcançar o almejado fim.

Uma vez detectada a estratégia de Havana, o alvo dos milionários exilados passou a ser os imponentes resorts do balneário de Varadero, além dos pontos turísticos mais visitados da capital cubana. “A opinião pública precisa saber que é mais seguro fazer turismo na Bósnia-Herzegovina do que em Cuba”, estampavam os folhetos de algumas dessas organizações — que realizavam desde sequestro de aviões e pequenas explosões, até sobrevoos nos quais eram despejados cartazes com propaganda anticomunista pelas avenidas de Havana.

Julgamento

Após anos de operação sigilosa,o serviço de contra-inteligência dos EUA acabou detectando a atuação da Rede Vespa e prendeu dez dos agentes cubanos. Metade deles fez acordos com a Justiça norte-americana e, por meio da delação premiada, pegou a pena mínima e ingressou no programa de proteção à testemunha do Departamento de Estado.

Em um longo e controverso julgamento — a cidade de Miami é majoritariamente anti-castrista—, os cinco cubanos acabaram condenados pelo júri popular em 2001. Alguns anos mais tarde, Leonard Weinglass advogaria pro bono pelos cubanos. Sem sucesso, porém, o “caso dos cinco” somente se acumularia à afamada lista de causas defendidas pelo advogado: a atriz Jane Fonda, os Panteras Negras e, antes de morrer, o criador do site WikiLeaks, Julian Assange, seu último caso.

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