Hoje na História - 1991: Boris Iéltsin é eleito presidente da Rússia

Hoje na História - 1991: Boris Iéltsin é eleito presidente da Rússia

Max Altman

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Em 12 de junho de 1991, Boris Iéltsin é eleito o primeiro presidente da Rússia após o fim da União Soviética, e o primeiro eleito diretamente pelo voto popular na história do país. Venceu as eleições com 57% dos votos. Boris Nikolaiévitch Iéltsin (Butka, 1º de fevereiro de 1931 – Moscou, 23 de abril de 2007) exerceu importante papel na história recente da União Soviética e da Federação Russa.

Durante seu governo, Iéltsin tomou medidas drásticas, que causaram reações de admiração e repulsa até hoje. Por ter assumido a liderança da Rússia durante a transição do socialismo para o capitalismo, ele é considerado, por muitos russos, culpado pelo declínio do país, que antes era uma superpotência. Outros se lembram do ex-presidente por ter desafiado o sistema monopartidário soviético.

No entanto, a era de Iéltsin ficou marcada pela grande corrupção que assolou a Rússia, o desemprego, a fome e os conflitos com a Tchetchênia, assim como ao colapso económico e à venda sem qualquer controle de empresas como a Lukoil e a Gazprom a empreendedores privados, em geral diretores dessas mesmas empresas sob o regime soviético.

Ainda que respeitado pela oligarquia que rapidamente se formou, pelos novos magnatas, alguns inclusive envolvidos com a máfia russa e cidadãos de outras nacionalidades por iniciar uma economia capitalista, com o livre mercado, as privatizações e a abertura de negócios, além do aumento nas liberdades baseadas na doutrina ocidental foi pouco admirado por seu povo em geral por causar crises, fome, corrupção, venda de estatais, desemprego, inflação, queda da perspectiva de vida, aumento da mortalidade, severa piora na qualidade do setor público, aumento no alcoolismo, aumento desastroso na desigualdade social, miséria e desfazer boa parte dos progressos econômicos realizado anteriormente.

Na década de 1990, especialmente em 1991, a figura do político Boris Iéltsin teve fundamental importância, pois ele esteve entre as personalidades que se destacaram no processo de desmonte da URSS, estruturação da CEI (Comunidade dos Estados Independentes) e finalmente a independência da Rússia como país autônomo.

Não somente por sua ação “cinematográfica”, subindo nos tanques e incitando a população à resistência, mas por sua determinação em realmente encerrar o ciclo soviético da história russa e mudar os rumos daquela instituição que mudou a História do século XX.

Eleito concorrendo contra o “pop-star” Mikhail Gorbatchov, Iéltsin ficaria no poder até anunciar sua própria renúncia, no réveillon de 1999. Nesses oito anos à frente da política russa, Iéltsin inseriu a Rússia, apesar dos problemas internos, nos mais importantes organismos internacionais, como é o caso do G-8, que reúne os oito países mais ricos do mundo.

Em 1996, no mesmo ano em que foi reeleito presidente, Iéltsin ordenou o bombardeio do Parlamento russo, a mesma construção que, cinco anos antes, havia sido o local que serviu de trampolim para sua carreira política. Esse bombardeio demonstrou, tanto para a sociedade russa quanto para a comunidade internacional, que a democracia russa estava muito mais no papel que nas práticas reais e diárias de seus governantes.

Além disso, a trajetória do presidente russo ficou marcada pelo caso das privatizações do gigantesco patrimônio público russo-soviético, que, após sete décadas, foi vendido por valores irrisórios e com grandes vantagens para aqueles que participavam dos círculos mais próximos do presidente e de outros importantes políticos russos.

Iéltsin renunciou à presidência abruptamente em 31 de dezembro de 1999, cuidando para que seu sucessor fosse o primeiro-ministro Vladimir Putin, argumentando que a "Rússia precisa começar o novo milênio com novos políticos”. Pouco depois que Putin foi eleito, em março do ano seguinte, Iéltsin anunciou sua aposentadoria e teve direito à imunidade, não ser interrogado, não ter suas propriedades sob investigação, ao recebimento de pensão e ao benefício vitalício à residência e a utilizar carros e guarda-costas.

Morreu aos 76 anos devido a uma insuficiência cardiovascular, em 23 de abril de 2007. Além de sofrer de problemas cardíacos, Boris Iéltsin tinha úlcera e ignorava conselhos médicos, consumindo bebidas alcoólicas em excesso. Durante sua reeleição, em 1996, chegou a ser internado devido à sua saúde frágil. Sua morte marcou o fim de um personagem que encerrou o socialismo da União Soviética.

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