Hoje na História: 1920 - Nasce o Partido Comunista Francês

O XVIII Congresso do bloco comunista na França abriu as portas em 25 de dezembro de 1920, na cidade de Tours

Max Altman

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* Atualizada às 6h do dia 25 de dezembro de 2014

O XVIII Congresso do partido socialista abre em 25 de dezembro de 1920 suas portas na cidade de Tours. A importante reunião se estenderia até 30 de dezembro debaixo de intensos confrontos de opinião. A maioria dos membros da SFIO (Section française de l'Internationale Ouvrière – Seção Francesa da Internacional Operária) se mostrou favorável a uma adesão à III Internacional e decide então criar a SFIC (Section française de l'Internationale communiste – Seção Francesa da Internacional Comunista).

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Sede do Partido Comunista Francês, projetada pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer

Durante o verão daquele ano, já tinha aceitado as 21 condições de adesão apresentadas por Vladimir Lenin. Os instigadores do movimento, a facção à esquerda, Boris Souvarine e Fernand Loriot e a facção mais moderada de Marcel Cachin e Ludovic Frossard, obtêm três quartos dos votos e aceitam desse modo alinhar sua política àquela decidida em Moscou pelo Partido Comunista Bolchevique. Marcel Sembat, Léon Blum e Albert Thomas, no entanto, recusam-se a ceder. Eis a razão por quê a SFIO se cinde entre uma maioria comunista e a minoria restante, que daria seguimento ao Partido Socialista SFIO.

Após os primeiros movimentos de unificação da esquerda francesa em 1901, o Partido Socialista Francês e o Partido Socialista da França se unem em 26 de abril de 1905 para formar a SFIO. Este novo agrupamento, que começou a operar a partir do Congresso de Globe, permite aos marxistas representados por Jules Guesde e aos reformistas como Jean Jaurès de fazer uma frente comum. Divididos depois do Congresso de Tours, que assiste ao nascimento do Partido Comunista Francês, a SFIO seria marcada visivelmente pelas personalidades de Jean Jaurès e de Léon Blum. Teria sua denominação mudada para Partido Socialista somente em 1969.

Quando a Europa inteira acabava de decretar a mobilização geral diante do espectro do início da Primeira Guerra Mundial, o líder do Partido Socialista, Jean Jaurès, é assassinado em 31 de julho de 1934 por Raoul Villain no cefé du Croissant, rua Montmartre, em Paris. A França mergulha em comoção: a única personalidade política capaz de impedir a guerra havia desaparecido.

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As cinzas de Jaurès seriam transferidas ao Panthéon em 1924 e seu assassino, que havia sido julgado e absolvido em 1919, se exilaria na Espanha onde seria fuzilado pelos republicanos em 1936. Léon Blum, por seu lado, seria guindado a primeiro ministro em 1936 à testa da Frente Popular que se havia formado entre socialistas, comunistas e radicais.

O Partido Comunista Francês foi fundado em 1920 por aqueles que na SFIO defendiam a Revolução de Outubro na Rússia e se opuseram à participação na Primeira Guerra Mundial. Com efeito, as tensões dentro da SFIO tinham vindo à tona em 1914 com o começo das hostilidades. Naquela altura a maioria dos membros da direção da SFIO, que os da ala esquerda chamavam de ‘social-chauvinistas’, alinhou-se na sustentação do esforço francês na guerra.

O partido recentemente criado, rebatizado mais tarde Partido Comunista Francês com 120 mil membros era três vezes maior do que a SFIO. Ho Chi Minh, que criaria Viet Minh em 1941 e declara então a independência de Vietnã, era um dos membros fundadores.

O PCF logo entraria em crise tendo expulsado um dos seus líderes, Boris Souvarine e perdido influência já no final dos anos 1920. Apesar disso conseguiu atrair vários intelectuais e artistas de renome, como André Breton, Henri Lefebvre, Paul Eluard, Louis Aragon, entre outros.


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