Morre, aos 81 anos, o ex-presidente argentino Fernando de la Rúa

Governo de la Rúa ficou marcado por medidas duras de ajuste, em meio às exigências do FMI; ele renunciou ao cargo e saiu da Casa Rosada de helicóptero, em cena que ficou famosa

Morreu na manhã desta terça-feira (09/07), aos 81 anos, o ex-presidente argentino Fernando de la Rúa (1999-2001). Ele estava internado por conta do agravamento de uma infecção respiratória e havia sido submetido a uma angioplastia nos últimos dias.

De la Rúa, que também foi prefeito de Buenos Aires, renunciou ao cargo com dois anos e dez dias de governo, abreviando o mandato que iria até 2003, em meio à maior crise social, econômica e política da história recente da Argentina.

O presidente Mauricio Macri lamentou, pelo Twitter, a morte do ex-mandatário. "Lamento a morte do ex-presidente Fernando de la Rúa. Sua trajetória democrática merece o reconhecimento de todos os argentinos. Nós acompanhamos sua família neste momento."

Presidência e fuga de helicóptero

Seu governo ficou marcado por medidas duras de ajuste, com cortes salariais e de aposentadorias, em meio às exigências do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Para conter a fuga de dólares do país, já em meio a uma profunda crise, em 2001, de la Rúa decretou o “corralito”, limitando o saque de moeda estrangeira entre os argentinos – famosos por fazem poupança em bilhetes norte-americanos. Este foi o estopim para massivos protestos nas ruas, que ficaram conhecidos como “panelaços”.

Divulgação Secom /Governo do Estado do Paraná
Fernando de la Rúa morreu nesta terça, aos 81 anos

A fim de contornar a situação, de la Rúa, já bastante enfraquecido, decretou estado de sítio, em meio aos protestos e uma onda de saques que se registravam em todo o país. A repressão deixou 39 mortos entre os dias 19 e 21 de dezembro.

No dia 20 de dezembro, de la Rúa renunciou. Entrou para a história a cena em que ele deixa a Casa Rosada, sede do governo argentino, de helicóptero, evitando os manifestantes que se concentravam em frente ao palácio presidencial.

A gestão do então presidente, membro da UCR (União Cívica Radical) que havia substituído o peronista Carlos Menem, ficou marcada por um alto nível de desemprego e pobreza, além de um forte nível de endividamento externo que obrigou a Argentina a entrar em default (moratória). À renúncia de de la Rúa se seguiu uma crise política sem precedentes, em que quatro presidentes se sucederam no período de treze dias.

Desde que saiu da presidência, de la Rúa manteve um perfil discreto e foi pouco visto nos círculos políticos do país.

(*) Com teleSUR

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