Morre, aos 76 anos, o jornalista Paulo Henrique Amorim

PHA, como era conhecido, sofreu um infarto após sair para jantar com os amigos no Rio de Janeiro; jornalista trabalhou nos principais veículos de comunicação do Brasil

Atualizada às 13h55

O jornalista Paulo Henrique Amorim morreu na madrugada desta quarta-feira (10/07) no Rio de Janeiro, aos 76 anos. Após sair para jantar com amigos, o jornalista sofreu um infarto.  

Amorim tem uma longa lista de serviços prestados ao jornalismo brasileiro. Começou a carreira, no começo dos anos 1960, no jornal A Noite e teve passagens pelas revistas Manchete, Fatos e Fotos, Realidade, Veja, Exame. PHA, como era conhecido, também teve passagens pelo Jornal do Brasil, pelas TVs Globo (onde foi correspondente em Nova York), Bandeirantes, Manchete e Cultura e pelo portal UOL. Atualmente, estava na Record, onde apresentou, até junho, o programa Domingo Espetacular, após ser afastado por pressões políticas.

Em 1972, Amorim ganhou um Prêmio Esso, um dos mais importantes do jornalismo brasileiro, por conta de uma reportagem na revista Veja.

A experiência na mídia comercial o tornou bastante crítico com a imprensa hegemônica e o levou a ser um dos criadores e popularizadores do termo PiG, o Partido da Imprensa Golpista. Sua escrita e incisividade eram mais frequentes em seu no blog — e posteriormente portal — Conversa Afiada, que mantinha desde 2008. 

Divulgação
Paulo Henrique Amorim morreu aos 76 anos, no Rio de Janeiro

O jornalista também era palestrante e dava cursos de media training, além de ter lançado diversos livros durante a carreira: De olho no dinheiro (1987), Plim-Plim, A Peleja de Brizola contra a Fraude Eleitoral (2005), A Mídia nas Eleições de 2006 (2006), Como lidar com a mídia e O Quarto Poder - Uma outra história (ambos em 2015).

Amorim deixa a mulher, a jornalista Geórgia Pinheiro, e uma filha. O velório acontece nesta quinta (11/07), entre 10h e 15h, na sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), que fica na rua Araújo Porto Alegre, 71 - Centro - Rio de Janeiro. O corpo será cremado no Crematório e Cemitério da Penitência, na zona portuária da cidade.

Repercussão

A morte de PHA repercutiu entre algumas das principais personalidades da política e do jornalismo. 

A ex-presidente Dilma Rousseff lamentou, pelo Twitter, o falecimento de Amorim. “A morte de Paulo Henrique Amorim priva o jornalismo brasileiro de um dos seus nomes mais importantes. Ele deixa a marca de uma atuação digna na denúncia dos retrocessos que o país enfrenta e na defesa da democracia e do estado de direito. Meus sentimentos à família e aos amigos.”

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad disse que Amorim era “comprometido com os interesses nacionais”. “Meus sentimentos à família de Paulo Henrique Amorim, jornalista altamente comprometido com os interesses nacionais”, afirmou.

Já o ex-presidente Lula, por meio de sua conta no Twitter, disse que morte de PHA "priva o jornalismo brasileiro de um de seus nomes mais importantes".

Em vídeo publicado pela revista Carta Capital, o jornalista Mino Carta afirmou que PHA era "um dos raros jornalistas verdadeiros". "Eu não sei quem sofre mais nesse momento, Se é o Brasil que perde um dos raros jornalistas verdadeiros, autênticos, ou se perco eu, profundamente, porque Paulo Henrique era um irmão enorme".

O fundador da Carta Capital ainda afirmou que Paulo Henrique Amorim era um "homem de muita coragem, de muito destemor, que dizia tranquilamente o que pensava sempre a partir de informações corretíssimas. É uma grande dor para mim".

Por sua vez, o editor da Revista Fórum, Renato Rovai, classificou como "tristíssimo" o falecimento de Amorim. "Muito triste. Tristíssimo. A morte de Paulo Henrique Amorim é um murro na boca do estômago dos jornalistas que não se calam."

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