Isenção do IR altera tributação no topo da renda e beneficia milhões de trabalhadores
Além de alcançar índices destacados em 2025, país projeta melhorias para este ano com projeto que isentou quem ganha até R$ 5 mil, beneficiando milhares de brasileiros
O cenário econômico do Brasil para 2026 contará com uma mudança que deve transformar a vida de uma grande parcela da população: a partir deste mês de fevereiro, trabalhadores e trabalhadoras que ganham até R$ 5 mil por mês estarão isentos do Imposto de Renda da Pessoa Física.
A Lei nº 15.270 de 2025 (originada do PL 1.087/2025), que determina essa mudança na política tributária, foi sancionada em novembro de 2025 pela Presidência da República e também traz benefícios para contribuintes com renda de até R$ 7.350 mensais, que terão redução no valor pago.
Considerada um dos projetos mais importantes do atual governo, a nova legislação deve favorecer cerca de 15 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.
Segundo o economista Carlos Paiva, diretor da Paradoxo Consultoria Econômica, a elevação do patamar de isenção do imposto de renda gera “ganhos efetivos e importantes para a base da pirâmide social”.
Calculadora
O economista Daniel Ferrer, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) — também professor da Escola DIEESE de Ciências do Trabalho destaca que o DIEESE desenvolveu a página “Calculadora IR”, na qual “qualquer trabalhador pode inserir sua renda bruta mensal e visualizar quanto paga hoje de IR, qual será sua economia mensal com a lei aprovada”.
Além disso, ele enfatiza que “quem tem renda dentro da faixa de isenção da nova lei não é rentista, mas alguém da classe trabalhadora, com alta propensão ao consumo. Portanto, esse dinheiro extra tende a ser gasto no dia a dia — no mercado do bairro, na padaria, na farmácia, com vestuário, transporte, educação, reforma da casa, etc.”
“Isso é muito importante porque significa que esse dinheiro não vira especulação financeira, mas demanda efetiva na economia, o que dinamiza a economia local e gera retorno fiscal, já que boa parte desse comércio volta ao Estado na forma de impostos sobre consumo”, frisa Ferrer.

Nova legislação deve favorecer cerca de 15 milhões de trabalhadores e trabalhadoras
Daniel Dan na Unsplash
Compensações
Outro ponto fundamental da mudança é a compensação da arrecadação perdida com a isenção. Um dos mecanismos será a taxação sobre a distribuição de lucros e dividendos para pessoas físicas residentes no Brasil, em montante superior a R$ 600 mil por ano — média de R$ 50 mil mensais — que passarão a pagar imposto com alíquota de até 10%. Também haverá taxação sobre remessas de dividendos ao exterior.
Além disso, será estabelecido um piso para cobrança de imposto de renda de quem recebe acima de R$ 50 mil por mês, com alíquota mínima que pode chegar a 10% nessa faixa.
O Ministério da Fazenda estima que cerca de 141 mil contribuintes de mais alta renda — 0,06% da população com maiores salários — serão atingidos pela medida.
Para o economista Carlos Paiva, “o grande desafio da justiça tributária é taxar aqueles que auferem rendas efetivamente significativas”. Ele acrescenta que “a atual legislação tributária virtualmente isenta empresários e profissionais liberais de alta renda. Os impostos incidem exclusivamente sobre os rendimentos das empresas, não dos empresários”.
(*) Este conteúdo foi desenvolvido em parceria com o Governo do Brasil.
























