No entanto, essa quebra geral de silêncio tem também consequências negativas, diz ao L'Humanité a presidente da Fundação das Mulheres, Anne-Cécile Mailfert. Diante de uma falta de vontade política, "a justiça continua sendo lenta e ineficaz", diz a militante lembrando que, na França, menos de um agressor a cada três é processado.
O caso da líder do #MeToo francês, a jornalista Sandra Muller, é emblemático. Em outubro de 2017, ela contou no Twitter que foi vítima de assédio sexual pelo ex-chefe do canal Equidia. Processada por difamação, ela chegou a ser condenada em primeira instância, mas em 2021 a Corte de Apelações de Paris considerou que a jornalista "agiu de boa fé" e encerrou o caso.
Entrevistada pela agência AFP, Sandra Muller diz não se arrepender da iniciativa e da publicação do tuíte que, segundo ela, "arruinou" cinco anos de sua vida. "Mas quando temos meios para mudar uma sociedade para instalar regras melhores (...), sim, é uma satisfação", reconhece.
Em uma coluna de opinião no jornal conservador Le Figaro, a jornalista Eugénie Bastié trata da fratura do movimento feminista depois do #MeToo e diz que "jamais no mundo ocidental as mulheres estiveram tão divididas". Ela cita como exemplo duas questões que não encontram um consenso entre as militantes: o uso do véu islâmico e a integração das mulheres trans.