Quem são os terroristas?

Independentemente das características, atos de governos nunca são taxados de terroristas

Renan Cavalcante Eugenio

Desde os ataques às torres gêmeas e outros locais dentro dos Estados Unidos, em 2001, a palavra terrorista se tornou frequente na mídia. De lá para cá, a paranoia coletiva de novos atentados fez com que o termo surgisse em veículos de imprensa em toda tragédia não natural. O problema é que muitas das vezes o termo acaba sendo usado de forma incorreta. Mas quem é terrorista? E o que essa palavra realmente significa?

De acordo com o segundo verbete do dicionário Houaiss define terrorismo da seguinte forma: “Emprego sistemático da violência para fins políticos, especialmente a prática de atentados e destruições por grupos cujo objetivo é a desorganização da sociedade existente e a tomada do poder; terror”.

Nem todos veem as coisas da mesma maneira que o Houaiss. O linguista, filósofo e ativista político Noam Chomsky vê a utilização do terror como forma política e, também, como uma arma do imperialismo. Para ele, os Estados Unidos são um estado líder em terrorismo, tendo cometido atentados em diversas partes do mundo para manter seus interesses políticos e econômicos. Ele cita os ataques ocorrido em 1998 às instalações farmacêuticas da empresa Al-Shifa, no Sudão, como sendo um dos exemplos de terrorismo de estado.

Chosmky também fala sobre o uso propagandístico do termo. Os estados o utilizam para taxar seus inimigos. Os nazistas chamavam os partisans, membros da resistência, de terroristas e empregavam táticas de contraterrorismo para acabar com suas atividades em toda a Europa. Hoje diversos grupos ganham tal denominação apenas por se oporem a alguns governos.

Na mídia a utilização do termo também é envolto em questões filosóficas e políticas. O editor de mundo da Folha de S. Paulo, Fábio Zanini, explica que o uso consensual do termo nos jornais é: o ataque de um ente não estatal contra uma população civil por motivo político. Mas ele ressalta que muitas injustiças são cometidas por isso. “Se um exército fizer a mesma coisa, não é terrorismo”, afirma. E exemplifica, “quando os palestinos atacam Israel, é terrorismo. Quando Israel ataca crianças na faixa de gaza, não é terrorismo”.

Com várias definições para a mesma palavra, o certo é que o terrorismo, independente da motivação, sempre atinge a vida de milhares pessoas inocentes.

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