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Opinião

Unificação monetária em Cuba deve eliminar desigualdade

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Sistema de dupla moeda afeta contabilidade e causa numerosas distorções que complicam qualquer medida econômica

Salim Lamrani

2013-10-24T13:19:00.000Z

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Em 1993, frente à grave crise econômica que atingiu a ilha depois da desintegração da União Soviética, as autoridades de Havana decidiram legalizar a circulação do dólar estadunidense no país. Era necessário encontrar as divisas indispensáveis para o funcionamento da economia e do comércio e satisfazer as necessidades da população, particularmente no setor alimentício. Assim, duas moedas circulavam no país: o dólar e o peso cubano (CUP).

Efe

Caráter parcimonioso das informações que as autoridades cubanas proporcionam é explicado pela complexidade do processo

Em 1994, além do peso cubano e do dólar, o Banco Central de Cuba criou o peso conversível (CUC), com um valor igual ao dólar, o que fez de Cuba o único país no mundo a imprimir duas moedas. O CUC é particularmente usado no turismo e para adquirir produtos de importação. Assim, de 1994 a 2004, circularam três moedas em Cuba, até a desaparição do dólar, em 2004, depois das novas sanções econômicas impostas pela administração Bush. Agora, o peso cubano circula junto com o peso conversível, com uma notável diferença de valor: são necessários 25 CUP para conseguir 1 CUC.

Essa dupla moeda é, então, fonte de desigualdade na nação, na medida em que a imensa maioria da população ativa recebe seu salário em CUP. Uma pequena categoria de cubanos, particularmente os empregados da indústria turística e os que recebem remessas familiares do exterior, têm acesso ao CUC. Essa dualidade monetária tem como consequência levar um número substancial de pessoal qualificado — acadêmicos, médicos, arquitetos, engenheiros — a abandonar sua profissão em benefício de uma atividade mais lucrativa como a de taxista, garçom ou porteiro de hotel.

Por outro lado, esse sistema de dupla moeda afeta a contabilidade nacional e causa numerosas distorções que complicam qualquer medida econômica. Tem um impacto direto na política econômica do Estado e prejudica gravemente o desenvolvimento do país.

O presidente Raúl Castro, consciente dessa realidade, decidiu agir em conformidade. Segundo ele, “o fenômeno da dualidade monetária constitui um dos obstáculos mais importantes para o progresso da nação”. Traçou como objetivo dos principais economistas cubanos a elaboração de uma estratégia econômica e financeira para conseguir a unificação monetária o quanto antes.

No dia 22 de outubro de 2012, em conformidade com o projeto de atualização do modelo econômico que foi adotado pelo VI Congresso do Partido Comunista Cubano, em abril de 2011, o governo de Havana anunciou o lançamento de um processo de unificação monetária. Ainda assim, as autoridades não apontaram precisamente como essa mudança será feita e nem deram um prazo para que isso aconteça. Estas mudanças preocuparão, em um primeiro momento, as empresas e as instituições, antes de se estender por todo o país.

O caráter parcimonioso das informações que as autoridades cubanas proporcionam é explicado pela complexidade do processo de unificação monetária. Para poder aumentar os salários é imprescindível aumentar também a produtividade e a produção. Também é necessário elaborar uma estratégia de substituição de importações, particularmente no setor alimentício, em um país que é mais de 80% dependente das matérias-primas agrícolas produzidas no exterior.

Se a unificação monetária for realizada em boas condições, isto é, com um aumento da produção, da produtividade e dos salários, será possível eliminar a fonte de desigualdade que a dualidade CUP/CUC representa. Também acabará com as numerosas distorções de ordem econômica que uma dupla contabilidade engendra. Mas, obviamente, esta reforma monetária não será fácil.

* Salim Lamrani é Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos da Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor-titular da Universidade de la Reunión e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro se chama Cuba. Les médias face au défi de l’impartialité, Paris, Editions Estrella, 2013, com prólogo de Eduardo Galeano.

Contato: lamranisalim@yahoo.fr ; Salim.Lamrani@univ-reunion.fr
Página no Facebook: https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel

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Política e Economia

EUA declaram 'estado de desastre' na Louisiana por furacão Ida

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Mais de um milhão de pessoas ficaram sem energia elétrica na região; Nova Orleans vive uma nova situação 16 anos após a passagem do Katrina

Redação Opera Mundi

São Paulo (Brasil)
2021-08-31T14:35:00.000Z

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou estado de "grande desastre federal" em Louisiana na tentativa de recuperar áreas atingidas na passagem do furacão Ida na região. 

O decreto, emitido no domingo (29/08), garante empréstimos "a baixo custo" para auxiliar aqueles que perderam "propriedades não seguradas". "A assistência pode incluir subsídios para habitação temporária e reparações domésticas, empréstimos a baixo custo para cobrir perdas de propriedades não seguradas e outros programas para ajudar os indivíduos e os empresários a se reerguerem das consequências do desastre", diz o documento.

Apesar de ter perdido força ao entrar no território, sendo reclassificado como uma tempestade tropical (com ventos até 96km/h), o Ida deixou um rastro de destruição, além de uma vítima. 

Uma das cidades mais atingidas foi Nova Orleans, que vive uma nova situação extrema 16 anos após a passagem do Katrina, e continua no escuro desde a noite deste domingo. Mas, segundo o governo local, outras 25 localidades tiveram também grandes danos, como alagamentos.

Ao todo, mais de um milhão de pessoas ficaram sem energia elétrica em Louisiana e também cerca de 70 mil pessoas no estado do Mississippi. A chegada do furacão Ida, categoria 4 com ventos de até 240km/h, foi tão intensa que foi fotografada pela Estação Espacial Internacional (ISS).

O governo da Louisiana considerou o Ida o segundo maior furacão a atingir o estado desde o Katrina e um dos mais fortes da história.

(*) Com Ansa.

U.S. Coast Guard
Decreto emitido no domingo (29/08) garante empréstimos para auxiliar aqueles que perderam 'propriedades não seguradas'
Meio Ambiente

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