O puxadinho e a educação

Um jeito de libertar Lula e sair da passividade é juntar a política dos puxadinhos (populares) com o direito à educação pleiteado nas ruas

Ricardo Queiroz

São Paulo (Brasil)

Hoje não pude ir pras ruas. Obrigações profissionais me impediram. Mas, acompanhei pelas redes, pela minha companheira e por amigos o que rolou.

Foi o primeiro conjunto de manifestações que atingiram em cheio os setores progressistas da classe média desde o golpe.

As ruas encheram e o bairrismo, o clubismo eleitoral e temático dessa feita não atrapalharam a mobilização.

Pode ter sido o mote para uma ação efetiva das esquerdas, que finalmente traz a oportunidade de sairmos da posição reativa.

A politização que o tema educação suscita é naturalmente transversal. Se conecta às pautas dos direitos humanos e ao mundo do trabalho com facilidade. Essa conexão pode ser poderosa. 

Dizem que historicamente são os setores médios que abrem o caminho para as reações das massas. Há um horizonte de lutas a acontecer.

Pode parecer descontextualizado, mas uma fala do Lula na entrevista ao Kennedy Alencar me perseguiu hoje o dia todo:

"- Eu não esqueço nunca, quando eu tomei a decisão de financiar os puxadinhos, o cara construir um banheiro, um quarto, uma sala a mais. Isso não cabe na cabeça de um Ministro da Fazenda, porque isso não se aprende em Harvard, Chicago ou na Unicamp..."

O Lula deve estar nas ruas nos próximos dias. Um jeito de libertar Lula e sair da passividade, é juntar a política dos puxadinhos (populares) com o direito à educação pleiteado nas ruas hoje. Essa união dos setores populares com a classe média pode ser a prova dos nove, a virada possível.

Às ruas povo brasileiro, é hora de impor nossos desejos. A política é o caminho.

Reprodução/CUT
Às ruas povo brasileiro, é hora de impor nossos desejos

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