E Cid Gomes quase foi 'cancelado'

Enquanto 'cancelamos' uns aos outros em intermináveis debates sobre locais de fala, locais de repouso em Paris ou locais de ação no que sobrou da democracia, a direita fascista segue cancelando CPFs e montando o maior partido do Brasil

Vitor Vogel

Niterói (Brasil)

Enquanto “cancelamos” uns aos outros em intermináveis debates sobre locais de fala, locais de repouso em Paris ou locais de ação no que sobrou da democracia, a direita fascista segue cancelando CPFs e montando o maior partido do Brasil. Já vivemos numa ditadura do baixo oficialato ultraliberal e conservador. É unidade ou morte.

Para quem não está por dentro, cancelamento é a palavra da moda na militância digital. Significa não ouvir mais alguém por divergência de opinião. No jargão dos esquadrões da morte cancelar CPF é matar a sangue frio.

José Dirceu (PT) publicou um texto no qual afirma que o Brasil caminha para uma ditadura militar. Cid Gomes (PDT), senador mais votado da história do CE, foi baleado num enfrentamento contra PMs amotinados e encapuzados que pedem aumento salarial acima do proposto pelo governador Camilo Santana (PT).

Reprodução
Senador licenciado Cid Gomes foi baleado por policiais encapuzados em Sobral (CE)

Uma rápida passada nas redes dos deputados bolsonaristas dá a dica: pressionam o governo para levar os avanços do presidente para os militares locais. O principal candidato da oposição é um capitão da PM a favor do motim. Sim, 3 foram presos sabotando uma viatura. Estavam armados. Houve toque de recolher.

Bolsonaro começou sua trajetória discursando pelo soldo e contra o fim do regime militar. O PM prefeitável acabou de chegar no Ceará acompanhado de dois parlamentares. Uma major e um capitão ambos militares. Ela acabou de retuitar que o tiro foi em legítima defesa.

Só para lembrar. O tiro foi disparado em Sobral, terceira maior economia do interior nordestino. Bolsonaro perdeu por pouco em Fortaleza. Fez 44% dos votos no segundo turno na sexta maior capital do país. Uma vitória se olharmos o conjunto do NE.

Repito, há uma ditadura no poder. Eleita nas urnas. Ou paramos de nos “cancelar” ou eles cancelarão os CPFs de quem ousar pensar diferente. Unidade ou morte.

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