Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O governo de Benjamin Netanyahu alcançou um nível de brutalidade que coloca Israel e o sionismo diante de seu próprio abismo moral, político e jurídico. 

Há décadas o projeto sionista é denunciado por seu caráter colonial, supremacista e violento. Hoje em dia, sob Netanyahu e sua coalizão de extrema-direita, essa violência alcançou patamares que não podem mais ser descritos senão como estruturais e profundamente destrutivos, criando uma realidade de dominação, limpeza étnica e punição coletiva. 

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O presidente Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu conversam na Sala Roosevelt da Casa Branca, na segunda-feira, 29 de setembro de 2025, antes de uma reunião bilateral. <br> (Foto: Daniel Torok / White House)

O presidente Donald Trump e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu conversam na Sala Roosevelt da Casa Branca, na segunda-feira, 29 de setembro de 2025, antes de uma reunião bilateral.
(Foto: Daniel Torok / White House)

O regime sionista acredita que destruir toda a infraestrutura civil, matar famílias inteiras e expulsar um povo originário de sua própria terra representa uma vitória militar. Mas o que chamam de “êxito” não passa da consagração do genocídio como política de Estado.

Nenhuma pessoa minimamente lúcida considera isso vitória: é crime de guerra, é crime contra a humanidade, é genocídio transmitido ao vivo, com o mundo inteiro como testemunha e cúmplice involuntário.

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Israel não venceu em Gaza. E não vencerá. A resistência palestina segue existindo justamente porque está ancorada em legitimidade moral, histórica e política, enquanto o projeto sionista só se sustenta por meio da destruição física e simbólica da Palestina.

Um “Estado” que precisa assassinar crianças para proclamar vitória já está derrotado moralmente. Todo seu poder militar revela, paradoxalmente, sua fragilidade histórica, sua incapacidade de oferecer qualquer horizonte que não seja a violência permanente.

Mas o que permite que esse sistema de terror perdure? Por que, mesmo diante de imagens incontestáveis, as potências globais seguem garantindo imunidade ao regime genocida israelense?

A resposta é simples: o que está em jogo não é justiça, é poder.

O sistema internacional que emergiu da Segunda Guerra Mundial foi vendido ao mundo como guardião da paz, do equilíbrio entre as nações e da dignidade humana. Criaram-se tratados, convenções, cortes e resoluções, numa arquitetura jurídica que deveria impedir massacres e punir tiranias.

Contudo, quando o perpetrador dessas violações é Israel, um aliado estratégico do Ocidente, toda essa estrutura se dissolve em discursos vazios e vetos automáticos.

A emissão dos mandados de prisão pelo Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu e seu ministro da Guerra, Israel Katz, é um avanço que rompe parcialmente a blindagem histórica de Israel. Mas ainda é insuficiente.

Netanyahu e sua coalizão de extrema-direita precisam responder judicialmente pelo que fizeram, não por vingança, mas por um princípio básico: nenhum líder, de nenhuma nação, pode estar acima da lei.

Pelos crimes praticados em Gaza sob sua responsabilidade, a única sentença proporcional à dimensão da barbárie seria a pena de morte para Benjamin Netanyahu e os líderes criminosos do regime sionista.

Se o mundo deseja evitar que atrocidades semelhantes se repitam, é indispensável que crimes cometidos contra o povo palestino recebam o mesmo peso moral e jurídico que crimes cometidos em qualquer outra parte do mundo.

Enquanto isso, Gaza segue sendo bombardeada, hospitais são atacados, universidades são arrasadas e os mortos se contam aos milhares. A devastação mobilizada contra Gaza desde 2023 não pode ser chamada de guerra, mas a tentativa deliberada de apagar uma sociedade inteira. 

O uso da fome como arma, a obstrução da ajuda humanitária, o assassinato de jornalistas e trabalhadores humanitários compõem um quadro que ultrapassa qualquer limite ético possível.

E, ainda assim, a resistência persiste e cresce diante de algo ainda mais decisivo: o isolamento internacional de Israel. A opinião pública mundial mudou. Multidões tomam as ruas das maiores capitais denunciando o genocídio. Países europeus reconhecem o Estado da Palestina. Universidades, sindicatos, artistas e movimentos sociais rompem o silêncio histórico e aderem ao boicote.

Pela primeira vez em décadas, Israel é visto não como vítima eterna, mas como potência ocupante e agressora. Sua imagem global desmorona, e a narrativa sionista — antes dominante — perde credibilidade em todos os continentes.

A arrogância dos setores mais extremistas do sionismo, que acreditaram que reduzir Gaza a escombros produziria vitória, revela sua incapacidade de compreender a natureza das lutas anticoloniais: povos determinados a sobreviver sempre encontram meios de resistir. A violência sionista não é sinal de força, mas de desespero.

A verdadeira vitória não virá da destruição, mas do reconhecimento pleno da humanidade do povo palestino, da restituição de seus direitos e do fim da ocupação. A Palestina sobreviverá. Netanyahu e seus cúmplices, porém, terão de enfrentar a história.

A derrota moral do sionismo já está em curso. Falta apenas que o mundo a transforme também em derrota política e jurídica.

(*) Sayid Marcos Tenório é Historiador e Especialista em Relações Internacionais. É fundador e vice-presidente do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal). Autor do livro Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência. Instagram/X: @soupalestina