Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Por aqui ainda não estamos em clima de festividades e recesso. Já que não há tréguas nos ataques aos direitos nem mesmo com a chegada do final do ano, tampouco haverá nas lutas dos trabalhadores para defendê-los. Nesta última semana, os trabalhadores petroleiros e dos Correios aprovaram uma greve nacional, com ampla adesão das categorias por todo o País. Segundo informações da Federação Única dos Petroleiros (FUP), estão paradas mais de 60 unidades, entre elas 28 plataformas, 16 terminais da Transpetro, 9 refinarias, 5 termelétricas, 2 usinas de biodiesel, 2 Unidades de Tratamento de Gás, 2 Estações de Compressão, 5 campos terrestres, além da Estação de Transferência do Parque São Sebastião e da sede da Petrobras em Natal (RN). Na mesma toada, os trabalhadores dos Correios estão em greve em 9 estados neste momento.

A Petrobras precisa ser 100% pública

O governo Bolsonaro foi, sem dúvidas, um dos principais responsáveis pela recente desestruturação da Petrobras. Exemplo disso foi a privatização de três plantas de refinarias, sendo que uma delas, a Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, foi vendida abaixo do preço de mercado para a família real dos Emirados Árabes Unidos, em 2021. Um verdadeiro presentão. Não à toa, o então presidente foi retribuído com alguns “mimos”, como um relógio de pedras preciosas e esculturas de ouro, prata e diamantes.

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Ato em defesa da Petrobras em 2016. <br> (Foto: Fernando-Frazão/Agencia Brasil)

Ato em defesa da Petrobras em 2016.
(Foto: Fernando-Frazão/Agencia Brasil)

Entretanto, apesar da importante medida que revogou a política de paridade de preços internacionais, após três anos o governo Lula não avançou na necessária reversão dessas privatizações fraudulentas. Além disso, os acionistas da Petrobras seguem acumulando lucros vultosos. A empresa atingiu R$ 32,7 bilhões de lucro no terceiro trimestre de 2025, um crescimento de 23% em relação ao trimestre anterior, e cerca de um terço desse montante foi destinado ao pagamento de dividendos. Ou seja, não faltam recursos para atender às demandas dos trabalhadores, abrir novos concursos e investir em melhores condições de trabalho.

Por esses motivos, os petroleiros em greve exigem melhorias nas condições de trabalho e na previdência, com o aprimoramento do plano de cargos e salários; o fim das parcerias e terceirizações, que aprofundam o desmonte e a privatização por dentro da estatal; e a extinção dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs), que impõem descontos salariais em nome de uma suposta “sustentabilidade financeira”.

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É impressionante a unidade e a consciência desses trabalhadores, que lutam não apenas por direitos imediatos, mas também em defesa da soberania nacional, justamente em um momento em que o imperialismo norte-americano tenta avançar sobre as reservas de petróleo venezuelanas.

Correios também estão em greve

A greve ganhou ainda mais força quando os trabalhadores dos Correios também cruzaram os braços. Ano após ano, a empresa é alvo de projetos privatistas que avançam por meio da terceirização e do fechamento de agências. Além das reivindicações salariais e por melhores condições de trabalho, a paralisação denuncia o desmonte conduzido pelo Conselho Administrativo da empresa, que pretende implementar a jornada de 12×36 horas e efetivar um plano de demissão voluntária capaz de eliminar cerca de 10 mil postos de trabalho.

Para sustentar, na opinião pública, os interesses do setor privado de logística e entregas, a grande imprensa tem bombardeado a população com a narrativa de que os Correios são deficitários e que, portanto, só haveria duas alternativas: privatizar a empresa ou fechá-la, como defendeu editorial da Folha de S. Paulo em outubro deste ano. O que a Folha ignora, no entanto, é que o caráter público dos Correios é justamente o que garante o atendimento à população acima da lógica do lucro, alcançando todos os municípios do país e atuando como serviço essencial em momentos críticos, como na pandemia de Covid-19, nas enchentes do Rio Grande do Sul e até na distribuição de leite para crianças, como aponta nota da Federação Interestadual dos Trabalhadores dos Correios (FINDECT).

Greves por soberania fortalecem a luta anti-imperialista

As greves dos petroleiros e dos trabalhadores dos Correios chocam-se frontalmente com o projeto imperialista que transforma o Brasil em território de saque, subordinado aos interesses dos Estados Unidos, dos grandes fundos internacionais e de suas frações locais da burguesia. Cada refinaria privatizada, cada agência fechada, cada posto de trabalho eliminado responde a uma mesma lógica: desmontar a capacidade do país de controlar suas próprias riquezas e reduzir o povo ao papel de mão de obra descartável.

Não é coincidência que, enquanto o imperialismo norte-americano disputa abertamente o petróleo venezuelano e reorganiza sua dominação energética na América Latina, avance também sobre o pré-sal brasileiro, sobre a logística dos Correios e sobre toda a infraestrutura pública. Diante disso, a greve deixa de ser apenas um instrumento de pressão econômica e se converte em força política de ruptura. Ao cruzarem os braços, petroleiros e ecetistas afirmam que a verdadeira soberania será construída na luta direta contra o imperialismo e seus agentes internos. Todo apoio às greves!

(*) Isis Mustafa é dirigente do partido Unidade Popular pelo Socialismo.