Segunda-feira, 8 de junho de 2026
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Um dos fundamentos da economia do Irã é a exploração sistemática da economia do petróleo. Isso se dá com expertise no refino (como veremos em artigos posteriores), mas com absoluta autonomia na extração e distribuição dos produtos. Somadas as suas duas grandes companhias – citadas abaixo – a República Islâmica tem uma das cinco maiores frotas mercantes do mundo, com uma frota de navios petroleiros. A nacionalização do petróleo, através da NIOC, foi fator fundamental do golpe de Estado de agosto de 1953 (a Operação Ajax), apoiado pela CIA e realizado através de um consórcio das empresas de petróleo da Inglaterra (British Petroleum, hoje BP), da França (ELF, hoje Total) e da Itália (ENI), operado pelos respectivos serviços de inteligência – com a Agência Central de Inteligência dos EUA no comando. 

Após o triunfo da Revolução Islâmica e Popular, em 11 de fevereiro de 1979, o país, mesmo sob sanções, risco de guerra separatista e, logo na sequência, enfrentando a Guerra de agressão do Iraque (1980-1988), conseguiu organizar sua economia de guerra para, a partir do petróleo, buscar o desenvolvimento hoje verificado. Vejamos um quadro básico das três companhias-chave para o setor de óleo cru e derivados no Irã, do poço às exportações. 

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Após o triunfo da Revolução Islâmica e Popular, em 11 de fevereiro de 1979, o país, mesmo sob sanções, risco de guerra separatista e, logo na sequência, enfrentando a Guerra de agressão do Iraque (1980-1988), conseguiu organizar sua economia de guerra para, a partir do petróleo, buscar o desenvolvimento hoje verificado.
(Foto: Adam Jones / Flickr)

NIOC: Companhia Nacional de Petróleo Iraniana

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Desde 1951, a Companhia Nacional de Petróleo Iraniana (NIOC) dirige e formula políticas para a exploração, perfuração, produção, pesquisa e desenvolvimento, refino, distribuição e exportação de petróleo, gás e derivados.  

Estima-se que, atualmente, a empresa possua 156,53 bilhões de barris de hidrocarbonetos líquidos e 33,79 trilhões de metros cúbicos de gás natural. Políticas nacionais e regionais, bem como a cooperação com países industrializados no fornecimento de energia e na estabilização dos mercados globais de petróleo, estão na agenda da NIOC. 

A NIOC, em conformidade com o Artigo 44 da Constituição iraniana, confere autoridade a diferentes setores, supervisionando as atividades da indústria petrolífera. A empresa estabelece empreendimentos comerciais, investiu recursos financeiros para o desenvolvimento e auxiliou na atualização de tecnologias para exploração, perfuração e produção, com base no conhecimento de especialistas iranianos. 

A NIOC é composta por dezessete empresas de produção, oito empresas de serviços técnicos, sete administrações, seis divisões (unidades administrativas) e cinco unidades organizacionais.

NITC: Companhia Nacional de Navios Petroleiros Iranianos

A Companhia Nacional de Navios Petroleiros (NITC) é uma operadora independente líder no setor de transporte marítimo de petróleo bruto, dedicada ao transporte de cargas de petróleo bruto para a comunidade internacional.

Com sede em Teerã, a NITC possui escritórios no exterior em Sharjah, Emirados Árabes Unidos, e em outras localidades europeias, como Estocolmo e Roterdã. Fundada em 1955, a companhia foi “privatizada” em 2000, quando todas as suas ações foram transferidas para o setor privado, com três fundos de pensão representando mais de 5 milhões de pessoas tornando-se acionistas. 

Apesar das sanções impostas ao Irã, a empresa é membro pleno da Intertanko (Associação Independente de Proprietários de Navios-Petroleiros), da ITF (Federação Internacional de Transportes) e de diversas outras organizações internacionais.

Nos últimos 15 anos, não houve nenhuma detenção por controle portuário ou acidente que resultasse em poluição por petróleo. A NITC se comprometeu a reduzir as emissões de sua frota em 28%, em consonância com os esforços para reduzir o aquecimento global.

A NITC opera seu próprio Centro de Treinamento Marítimo e Escola de Marinha Mercante premiados, às margens do Mar Cáspio, mar interior sob hegemonia absoluta das forças navais da Rússia e do Irã.

IRISL: Companhia de Navegação da República Islâmica do Irã

O Grupo de Linhas de Navegação da República Islâmica do Irã (Grupo IRISL) é uma empresa estatal de navegação com sede no Irã. Fundada em 1967 como Arya National Shipping Line e renomeada IRISL em 5 de janeiro de 1979, ela conta com 6 mil funcionários e oferece serviços de transporte marítimo em todo o mundo, incluindo transporte de carga geral, transporte de produtos químicos, contêineres, granéis e carga a granel, operações portuárias e gerenciamento de navios. Além disso, a empresa oferece serviços de assistência social, agenciamento, educação e treinamento marítimo e seguros marítimos.  

A frota marítima da Companhia de Navegação da República Islâmica do Irã (Grupo IRISL) é composta por 115 navios de longo curso com capacidade total de 3,3 milhões de toneladas de porte bruto (TPB). A estrutura de propriedade da frota compreende 87 navios de longo curso pertencentes à IRISL e 28 navios de diferentes tipos operando sob a bandeira de subsidiárias, incluindo a Khazar Shipping, a Valfajr e a Iran-India Shipping Companies. 

Conclusão

A estrutura de exploração, comercialização e exportação de petróleo é parte fundamental da economia nacional da República Islâmica do Irã e obedece a um planejamento estratégico, que inclui contratos não exclusivos com a China. São contratos de 25 anos (renováveis) e com montante inicial de 400 bilhões de dólares. 

Ao contrário do que nos apresentam na mídia hegemônica, o Irã tem, como complemento das exportações de petróleo pela via marítima, o fato de que 50% do comércio exterior do país se dá por terra, em rotas de integração eurasiáticas e por dentro do continente asiático. Veremos estes e demais aspectos nos próximos artigos. 

Para concluir, ressaltamos a estratégia econômica como uma modelagem muito ajustada, entre a economia de guerra, o planejamento estratégico e a subordinação da lógica empresarial privada aos objetivos nacionais. 

(*) Bruno Lima Rocha é jornalista, cientista político e professor de relações internacionais. Atualmente é parte da equipe da Hispan TV Brasil, do Observatório de Geopolítica do GGN, editor do Radiojornal dos Trabalhadores e do portal Estratégia e Análise –  blimarocha@gmail.com