Quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Quem lê manchete e não lê as entrelinhas pode se lascar nessa história do Master. Nesse momento, é melhor não fazer festa antes do encaixe dos fatos. Nessa madrugada, o ministro Fachin não mandou o ministro André Mendonça, abrir tudo em relação ao Master. Na prática, ele pediu que ele retirasse o sigilo do que considerasse possível divulgar sem prejudicar a investigação. Pedir e mandar são coisas diferentes.

Traduzindo: Mendonça continua decidindo o que aparece e o que fica escondido com os mesmos critérios que usou até agora. A diferença é que tem a anuência oficial do fraco presidente do STF. Ele mantém a relatoria, controla os autos e define o que seria “sensível” para a investigação. No essencial, o poder dele sobre o Master não mudou, até aumentou.

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Por ora, com o ministro Alexandre Moraes aconteceu o contrário. Fachin tirou de suas mãos o inquérito das fake news, que ele comandava havia anos e que concentrava enorme poder de articulação dentro do Supremo.

Se Fachin quisesse realmente equilibrar o jogo, teria tirado também o Master das mãos de Mendonça ou submetido o caso a algum controle colegiado efetivo. Não fez isso.

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Ministro André Mendonça na sessão plenária do STF. <br> (Foto: Rosinei Coutinho/STF)
Ministro André Mendonça na sessão plenária do STF.
(Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Até agora, veio a público justamente o material que produziu desgaste para Moraes e alimentou a ofensiva bolsonarista. O restante continua sob sigilo, e quem decide o que continua escondido é o próprio Mendonça.

Fachin aparentemente subiu no muro. Olhando melhor, nem isso. Tirou poder de Moraes e deu a André Mendonça um privilégio enorme: continuar no comando do Master e decidir o que o país pode ou não conhecer.

Do ponto de vista eleitoral, não haveria pior solução para a candidatura de Lula, pois o ativismo eleitoral bolsonarista continua com plenos poderes sobre o caso Master.

Fachin foi apenas o conhecido Fachin.

A ver os próximos passos…

(*) Ricardo Queiroz Pinheiro é Diretor de Relações de Trabalho do Sindserv – SBC, bibliotecário, pesquisador e doutorando em Ciências Humanas e Sociais.

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