O Império quer uma guerra de atrito prolongada contra o Irã
Ao ampliar a pressão militar e econômica sobre Teerã, Washington aposta em uma guerra prolongada de desgaste no coração do Oriente Médio
Trump se especializa em rasgar memorandos de entendimento (já são dois que ele mesmo não respeita) e tornar inúteis rodadas de negociações diplomáticas (como as de 2025 e 2026). A partir de 13 de julho se reinicia o intento de cerco naval ao Estreito de Ormuz e o não reconhecimento, por parte dos EUA, da soberania iraniana sobre suas próprias águas.
O presidente do Império organiza sua marinha como força de ameaça e extratora de riquezas. Por isso a vontade de taxar o trânsito pelo “desvio de Ormuz”, alentando o Sultanato de Omã a trair sua aliança com Teerã. Se Mascate não ceder, a autoridade binacional entre Irã e Omã será soberana nas águas binacionais, mas como tal precisa exercê-la através de força naval.

Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Síria, Ahmed al-Sharaa, durante encontro às margens da Cúpula da OTAN em Ankara, em 08/07/2026.
(Foto: Daniel Torok / White House)
O cenário se complica no Estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez. É inevitável pensar que o Eixo da Resistência através da aliança com a República do Iêmen vai simplesmente fechar o corredor do Mediterrâneo caso a ofensiva da marinha estadunidense atinja de forma irreversível a infraestrutura do Irã.
Antecipando esta situação, a monarquia saudita demonstra sua pequenez política e opta por retomar a guerra contra a república iemenita, isso logo após suas forças superarem os satélites dos Emirados no território do Iêmen sob disputa dos aliados das monarquias. Riade sabe que só pode avançar nesta guerra contra o Ansar Allah se alimentar a AQAP – a franquia da Al Qaeda na Península Arábica, perigosa rede takhfirista com uma eficiente infantaria.
Do lado de Sanaa, a opção estratégica é interromper o oleoduto sob controle saudita e, posteriormente, apontar como alvos válidos as instalações da Saudi Aramco (a petrolífera da monarquia da Casa de Saud).
A resposta iraniana vem sendo muito dura, simplesmente eliminando qualquer vestígio de instalações físicas das bases militares imperialistas que vergonhosamente se localizam na Jordânia, Kuwait, Omã, Bahrein, Arábia Saudita, Emirados, Catar e Síria. É uma espécie de “precificação inflacionada”. Washington aposta em amputar a infraestrutura iraniana enquanto Teerã quer o ponto de não reversão para o custo dos países da região ao se aliarem com os EUA.
Caso o último Memorando de Entendimento tivesse sido cumprido na íntegra, Trump se veria obrigado a abandonar o criminoso de guerra Benjamin Netanyahu e sua gangue colonialista. Como optou pelo genocídio ampliado, a tendência é tentar a derrota do Irã ou ao menos a desistência da República Islâmica em manter sua política externa anti-imperialista.
A projeção mundial desta guerra imperialista é enorme. Além de atingir o mercado futuro dos contratos de petróleo no índice Brent, pode ser vista como um conflito projetado no médio prazo contra a expansão da economia chinesa. O peso sobre Teerã é muito grande, mas a integração por terra através do continente asiático permite o desenvolvimento em escala da economia do século 21 sem utilizar o dólar gringo como moeda corrente internacional e reserva mundial.
(*) Bruno Lima Rocha Beaklini é jornalista da HispanTV Brasil, doutor em ciência política, tem pós-doc em economia política internacional e é professor de relações internacionais (blimarocha@gmail.com)























