Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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O encontro entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky neste domingo (28/12), na Flórida, ficou marcado por um tom de constrangimento e pela falta de garantias concretas de paz. A conversa telefônica de Trump com Vladimir Putin, duas horas antes do encontro com o líder ucraniano, reforça a avaliação de muitos analistas: a paz não está nas mãos dos líderes europeus.

Ao afirmar aos jornalistas que a guerra na Ucrânia só existe por causa da “eleição roubada” de 2020 por Joe Biden, Trump deslocou o foco do conflito. Com isso, expôs novamente, em sua visão, a incapacidade dos democratas e da União Europeia em buscar uma solução efetiva.

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Na mesma linha, Trump constrangeu Zelensky ao se referir a Putin como “generoso”. Citou a manutenção do fornecimento de energia barata e a suposta disposição russa em colaborar com a reconstrução do território após a guerra – algo que já é realidade em Mariupol, às margens do Mar de Azov.

O discurso emanado de Washington também revela uma contradição central: enquanto a Europa sustenta que a Rússia não deve interferir em eleições estrangeiras, parece considerar legítimo que uma eleição na Ucrânia conte com apoio político e estratégico dos Estados Unidos. A seletividade do argumento mostra como a influência externa pode ser legitimada no debate internacional quando convém aos interesses do imperialismo.

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Trump constrangeu Zelensky ao se referir a Putin como ‘generoso’
Sergei Bobylev / TASS

Nesse contexto, Trump ainda endossa a acusação de entreguismo ao destacar a concessão da exploração de terras raras da Ucrânia aos Estados Unidos. É a cereja do bolo que não poderia faltar, além de um gesto que simboliza o que seriam alguns dos reais interesses por trás da desestabilização da Ucrânia, iniciada em 2014, que culminou no conflito no Donbas com a participação de forças neonazistas.

No segundo telefonema, já no dia seguinte, Moscou informou que avaliaria uma série de demandas. Entre elas estavam regras sobre a adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o reconhecimento da região do Donbass e algumas garantias sobre a desnuclearização e a chamada “desnazificação” da Ucrânia. O anúncio reforça a narrativa do Kremlin, que busca uma resolução que vá além de um cessar-fogo temporário e garanta a “paz duradoura”.

O acordo, apresentado como solução pragmática às vésperas do ano novo no Ocidente, pode significar tudo em termos de alinhamento estratégico – ou nada, ao permanecer condicionado a interesses e promessas indefinidas, diante da corrida armamentista na Europa sustentada pela OTAN.

No mais, enquanto a guerra se prolonga, a única certeza, por ora, é que mais vidas serão ceifadas dos dois lados da trincheira.