Após o primeiro dia de reuniões entre representantes diplomáticos de Irã e Estados Unidos, nesta sexta-feira (06/02) o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que seu país apresentou, como condição para a continuidade do diálogo, que Washington pare com as ameaças militares e com o apoio aos protestos contra o governo da República Islâmica.
A declaração foi dada à agência estatal iraniana IRNA, horas depois do encontro bilateral realizado em Mascate, capital de Omã. Segundo o diplomata, as negociações sobre um possível acordo nuclear “devem ocorrer em um ambiente calmo, sem tensões e nem intimidações”.
“A condição prévia para qualquer diálogo é a abstenção de ameaças e pressões. Deixamos isso explícito e esperamos que seja rigorosamente respeitado para que as negociações possam continuar”, observou Araghchi.
Perguntado sobre o conteúdo do diálogo desta sexta-feira, o chanceler afirmou que “nossa conversa tratou exclusivamente do tema nuclear, não estamos discutindo nenhum outro assunto com os Estados Unidos”.
No entanto, o diplomata admitiu que a maior preocupação do Irã, a respeito de sua relação com os Estados Unidos, tem a ver com a “segurança geográfica” do país.
Além de Araghchi, a delegação iraniana conta com os vice-ministros Majid Takht Ravanchi (Assuntos Políticos), Kazem Gharibabadi (Assuntos Jurídicos e Internacionais), Qanbari (Diplomacia Econômica) e o porta-voz Esmaeil Baqaei.
Do lado norte-americano, a comitiva é liderada por Steve Witkoff, enviado especial para o Oriente Médio, e conta ainda com a presença de Jared Kushner, genro e conselheiro próximo do presidente Donald Trump.
O chanceler de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, participou do encontro como anfitrião e mediador.

Por sua parte, os Estados Unidos anunciaram novas sanções às exportações de petróleo do Irã, horas depois da reunião em Mascate.
As medidas seriam aplicadas contra 15 entidades e 14 embarcações da que Washington chama de “frota fantasma”, ligada ao comércio de petróleo e derivados iranianos, que incluiria navios de bandeiras da Turquia, Índia e Emirados Árabes Unidos.
Também serão aplicadas sanções a duas pessoas relacionadas a essas entidades e embarcações, segundo comunicado do Departamento de Estado norte-americano.
A nota acrescenta, como justificativa à medida, que Irã estaria usando recursos do petróleo para “financiar atividades desestabilizadoras em todo o mundo e intensificar a repressão dentro do país”.