Apagão cibernético no Irã dura mais de 84 horas; Trump avalia restabelecer conexão via Starlink
Teerã bloqueou internet para ‘conter desestabilização' no país, denunciando EUA e Israel de fomentar violência em protestos para justificar intervenção externa
O bloqueio de serviços de internet e telecomunicações decidido pelas autoridades do Irã desde quinta-feira (09/11), já dura mais de 84 horas, segundo a agência de monitoramento NetBlocks. Como parte da medida, a população iraniana está restrita ao acesso de redes sociais, aplicativos de mensagens e chamadas telefônicas
O país persa tem sido palco de protestos desde 29 de dezembro, quando manifestantes iniciaram suas marchas pacíficas contra a situação econômica – decorrente das sanções impostas pelo Ocidente. Desde os primeiros atos, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian reiterou determinação de resolver os problemas anunciados, dizendo que as manifestações se tratam de um direito do povo.
No entanto, ao longo dos dias, diversas partes do Irã registraram atos de vandalismo e de violência, além de assassinatos, um cenário que resultou na morte de mais de 538 pessoas, entre manifestantes e policiais, conforme balanço da ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA).
O bloqueio a serviços de internet trata-se de uma medida do governo iraniano para conter o que, segundo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, classificou, uma “guerra terrorista” articulada por países estrangeiros como os Estados Unidos e Israel, via agência de inteligência israelense Mossad. Segundo o chanceler, as manifestações começaram por razões originalmente econômicas, no entanto, grupos armados se infiltraram para atacar a infraestrutura iraniana, buscando aumentar artificialmente o número de vítimas e, assim, justificar uma intervenção externa sob pretextos humanitários.
Segundo o pesquisador que estuda a internet do Irã, Alireza Manafi, à rede de rádio e televisão BBC, a única saída provável para que a população retome suas conexões seria por meio da internet via satélite Starlink. Ainda de acordo com o diretor de segurança da internet e direitos digitais da ONG Miaan Group, o apagão abrange todos os meios de comunicação, diferentemente do fenômeno registrado no país em ocasiões anteriores.
Por sua vez, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou neste domingo (11/01) que planeja uma conversa com o bilionário sul-africano, Elon Musk, com o intuito de restaurar o acesso à internet no Irã por meio do serviço de satélite Starlink, comercializado pela empresa SpaceX. A repórteres, o republicano afirmou a empresa do bilionário é “muito boa nesse tipo de coisa, ele tem uma empresa muito boa”.























