Sábado, 7 de março de 2026
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Não demorou para que as previsões dos cidadãos no sul do Líbano se tornassem realidade. Desde a madrugada desta segunda-feira (02/03), Israel ampliou seus ataques ao território libanês, atingindo mais de 70 alvos do Hezbollah, incluindo a capital Beirute.

A reportagem de Opera Mundi está em contato com famílias brasileiras que viviam no sul do Líbano, e que estão tentando se deslocar para um lugar seguro. Algumas delas já se preparavam para deixar suas casas desde o início das agressões dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no último sábado (28/02).

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Cláudia Melhem, que já viveu um ataque israelense ao território libanês – em 2024, quando viu sua casa ser atingida por mísseis –, enfrentou um engarrafamento de mais de nove horas entre Tiro e Sídon, um trajeto que normalmente leva 25 minutos de carro. Após a suspeita de que Israel teria atingido um hospital na cidade, ela, o marido e os três filhos deixaram o local às pressas.

“O desespero foi grande, assim que recebemos a notícia de que um hospital teria sido atingido. O sinal da internet falhava o tempo todo e não havia como confirmar as informações. O jeito foi continuar na estrada”, conta Claudia, em seu desabafo.

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A brasileira relata que “na primeira tentativa, não conseguimos sair. Depois, eles abriram caminho pela contramão diante do engarrafamento gigantesco que se formou”.

“Peço que todos orem por nós”, diz Claudia, que vive no Líbano há cerca de 18 anos.

Família brasileira tenta escapar dos bombardeios israelenses no sul do Líbano
Claudia Melhem

Remanescente da Operação Raízes de Cedro

Outra brasileira que deixou a região da fronteira entre Líbano e Israel foi Joana, que reside com o marido e os três filhos no distrito de Bint Jbeil, a cerca de 60 km ao norte de Haifa – cidade israelense que abriga a refinaria Bazan, que interrompeu seu funcionamento após ser alvo de novos ataques iranianos.

“Eu escuto barulho de mísseis passando sobre o meu telhado quase todos os dias porque moro perto da fronteira. Mas neste domingo, pela manhã, o estrondo das explosões foi terrível, muito forte e bastante prolongado”, lembra

Joana acrescenta que “não conseguimos dormir e decidimos deixar nossa casa nesta segunda, mesmo sabendo do trânsito que se formou. Estamos exaustos e muito cansados por ter que viver tudo isso novamente.

Em 2024, no auge dos bombardeios em Beirute, Joana foi uma das brasileiras repatriadas com a família para o Brasil na Operação Raízes do Cedro, organizada pelo governo Lula. Na ocasião, a Embaixada do Brasil prestou assistência a milhares de pessoas, retirando mais de dois mil cidadãos do Líbano com apoio da Força Aérea Brasileira (FAB).

Em novembro daquele ano, após o cessar-fogo com Israel, ela regressou ao Líbano, mas lamentou que o acordo nunca tenha sido de fato respeitado pelo país vizinho.

Procupa por passaportes

Em Beirute, a situação se agravou após o ataque das forças israelenses na madrugada de domingo (02/03) contra o Dahieh, subúrbio localizado no sul da capital libanesa.

Pelo menos oito pontos da região foram atingidos, causando vasta destruição em zonas residenciais de alta densidade populacional. Mais de 30 pessoas morreram e 149 ficaram feridas.

“Confesso que pensamos que o Líbano não se envolveria nesta guerra porque não há bases militares dos Estados Unidos aqui para serem bombardeadas pelo Irã. A única mentira que Israel tem para nos atacar é dizer que o Hezbollah é uma ameaça”, comenta Naima Yazbek, brasileira que vive no Líbano há mais de 15 anos e já presenciou muitos momentos difíceis, incluindo a explosão do porto em 2020, que quase lhe custou a vida.

Naima conta que irá receber “uma família que foi deslocada após os bombardeios no Dahieh, em mais um momento triste e difícil para o povo libanês”.

A procura por renovação e/ou emissão de passaportes disparou novamente, como já havia adiantado Katia Awar no sábado, em entrevista a Opera Mundi. Seu escritório em Beirute oferece assessoria documental para brasileiros. Ela coordena grupos de assistência a mulheres imigrantes de todo o país. O Líbano abriga a maior comunidade brasileira no Oriente Médio, estimada em cerca de 20 mil pessoas.

“Venho orientando a comunidade, especialmente em área de conflito, a manter seus documentos em dia. São situações imprevisíveis, pois pode acontecer de tudo ou nada. O importante é manter a calma”, explicou Katia.

Engarrafamento de nove horas prejudicou fuga do sul do Líbano
Claudia Melhem

Embaixada acompanhando

Em comunicado, o Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil no Líbano está acompanhando o aumento das hostilidades e orientando a comunidade, mas sem informações sobre possíveis repatriações a partir de Beirute, como ocorreu em 2024.

O governo brasileiro reforçou que as negociações diplomáticas são o único caminho, e que a escalada representa grave ameaça à paz e à segurança internacional, com consequências humanitárias e econômicas para o mundo.