Deputados de esquerda defendem Irã e denunciam 'agressão imperialista'
Parlamentares do PT, PCdoB e PSOL rejeitam ingerência norte-americana contra República Islâmica e defendem direito à autodeterminação
Parlamentares do Partido do Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) reiteram a importância de defender a soberania e autodeterminação dos povos ao criticarem as ações militares e imperialistas do governo americano, liderado por Donald Trump.
O caso do Irã que, ultimamente, assim como ocorre com países sul-americanos, é alvo de ingerência norte-americana. Iniciados de forma pacífica em 28 de dezembro passado, os protestos que reivindicavam melhorias na condição econômica – atingida pelas sanções ocidentais – passaram a ganhar um caráter violento, com registros de vandalismo e assassinatos. Autoridades locais denunciaram as manobras dos Estados Unidos e de Israel, argumentando que os dois países aliados estavam tirando proveito da situação nacional por ambições imperialistas. Segundo o governo do presidente Masoud Pezeshkian, Washington e Tel Aviv orquestraram a infiltração de grupos armados para gerar caos e, assim, servir de pretexto para intervenções armadas.
Na quarta-feira (21/01), Teerã anunciou que os protestos haviam sido cessados. Porém, na quinta-feira (22/01), o mandatário norte-americano retomou o tema ao confirmar o envio de uma “grande frota” ao Irã. Nesse contexto, Opera Mundi ouviu congressistas de esquerda que rejeitaram a “agressão imperialista” de Washington contra Teerã, como é o caso do deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP).
“O Irã vive muitas dificuldades do embargo que sofre dos Estados Unidos e dos países europeus. É um embargo violento”, disse ao mencionar problemas recorrentes que são relatados no cotidiano da população iraniana, como a escassez de água que, inclusive, prejudica a economia nacional.
Zarattini avaliou que, apesar da diferença dos costumes locais “que contradizem a nossa moral ocidental”, o Irã tem feito “uma verdadeira oposição frontal aos Estados Unidos e Israel”. “Por isso que Estados Unidos e Israel fazem de tudo para que aconteçam rebeliões dentro do Irã. Eles em outras épocas promoveram atentados terroristas. Grupos terroristas dentro do Irã fortaleceram sempre essa turma podre da monarquia do xá Reza Pahlavi, que agora volta aí por cima estimulado pelos Estados Unidos”, disse o deputado.
“A gente só tem que defender o Irã dessa agressão imperialista que sofre dos Estados Unidos, de Israel e outros países europeus, e torcer para que o Irã consiga se defender e manter a sua soberania”, acrescentou, enfatizando que os problemas que ocorrem no país persa têm que ser resolvidos pelo próprio povo iraniano.
Para a deputada Jandhira Feghali (PCdoB-RJ), a situação demanda uma análise geral do papel do imperialismo na atualidade, que não se limita ao Irã. “Está em questão a Venezuela, Groenlândia, Cuba, Colômbia e está em questão o Brasil e suas eleições de 2026. E olhando para o Oriente Médio, o Irã é o foco central dos Estados Unidos e de Israel”, afirmou a parlamentar.
Segundo Feghali, a ingerência norte-americana no país persa, sob a alegada justificativa de querer defender os iranianos de uma suposta repressão promovida pelo governo local é, na realidade, uma “questão geopolítica”. “Porque ali, além de muitas riquezas, existe desenvolvimento de projeto nuclear e o Estreito de Ormuz, onde há grande acesso da China às riquezas do Irã. 35% do acesso às riquezas do Irã passa por esse estreito que os Estados Unidos querem dominar”, disse.
“Não é possível a gente aceitar que o imperialismo com as suas intervenções bélicas, militares, políticas, econômicas, culturais queira dominar o governo de outro país. Quem tem que resolver a questão do Irã é o povo do Irã. Quando a gente fala de soberania, a soberania é de qualquer nação. Não é possível nenhum de nós da esquerda ficarmos ao lado do imperialismo, do sionismo israelense”, afirmou.

Deputados federais da esquerda brasileira rejeitam ingerência norte-americana de Donald Trump
RS/Fotos Públicas
Por sua vez, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) defendeu que as ações imperialistas de Trump devem ser “repudiadas com contundência pela esquerda brasileira”. “Ao mesmo tempo, atacam a Venezuela e sequestram o seu presidente, ameaçam Cuba, Colômbia e México. Diz que vai tomar a Groenlândia. O inimigo do mundo é o imperialismo, nesse momento representado pelo governo dos Estados Unidos”.
Já o deputado Alencar Santana (PT-SP) manifestou-se contra a “qualquer tipo de violência”, incluindo a que atinge os manifestantes, mas “também de um país contra o outro”.
“Que não haja atrocidades, violência, repressão por parte do governo, nem por parte dos manifestantes, por exemplo, com qualquer tipo de ação golpista. Mas também devemos condenar a atitude de qualquer país, seja os Estados Unidos ou outro, de interferência em assuntos internos do Irã”, disse.























