As Forças Armadas dos Estados Unidos e a coalizão internacional concluíram sua missão militar no Iraque na quarta-feira (30/09), após retirarem suas últimas tropas e equipamentos da Base Aérea de Erbil. A retirada pôs fim à ocupação norte-americana do país, rejeitada pela sociedade civil e pelos grupos de resistência islâmica que desempenharam um papel fundamental na derrota do autoproclamado Estado Islâmico (também conhecido como Daesh ou ISIS).
O Pentágono confirmou que as responsabilidades de segurança agora recaem sobre as Forças Armadas Iraquianas e observou que o relacionamento com Bagdá resultará em uma estrutura de cooperação bilateral que incluirá treinamento e apoio de inteligência.
O primeiro-ministro iraquiano e comandante-em-chefe das Forças Armadas, Ali al-Zaidi, anunciou o encerramento oficial da missão multinacional e agradeceu o apoio prestado durante a chamada “guerra ao terror”. As autoridades iraquianas também declararam quatro dias de feriado nacional, denominados “Dias da Soberania”, para comemorar a retirada.
Por sua vez, o Conselheiro de Segurança Nacional do Iraque, Qasim al-Araji, definiu a conclusão da missão como um “marco importante” no fortalecimento institucional, enquanto o porta-voz do Ministério da Defesa, Brigadeiro-General Yahya Rasul, assegurou que as forças do país têm capacidade operacional para salvaguardar a soberania territorial.
A retirada militar foi saudada como uma vitória pela Resistência Iraquiana. No entanto, persistem focos de tensão política e de segurança. Abu Mujahid Assaf, um alto funcionário de segurança do grupo Kata’ib Hezbollah, afirmou que o grupo irá monitorar o espaço aéreo para prevenir incursões não autorizadas após a retirada.
Os Estados Unidos invadiram o território iraquiano pela segunda vez em 2003, após acusarem falsamente o governo de Saddam Hussein de possuir armas de destruição em massa e de apoiar grupos terroristas. Essa falsa acusação foi central para a chamada “guerra ao terror” lançada pela Casa Branca após os ataques de 11 de setembro de 2001. Já em 2020, Bagdá exigiu a retirada das tropas norte-americanas; no entanto, isso só foi acordado em 2024, durante o governo de Joe Biden.
(*) com teleSUR