Quarta-feira, 2 de setembro de 2026
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Após uma série de reuniões em Damasco, o líder curdo das Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazloum Abdi, anunciou na noite desta terça-feira (25/08) a dissolução do grupo, que controlou partes do território sírio por mais de uma década. A decisão do comandante foi comunicada em conformidade com um acordo firmado com o presidente da Síria, Ahmed Al-Sharaa.

“Anunciamos hoje o fim da missão das Forças Democráticas Sírias e declaramos, com total responsabilidade, sua dissolução como força militar independente”, formalizou Abdi em um discurso televisionado no palácio presidencial em Damasco.

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As FDS já controlaram uma zona autônoma no nordeste da Síria, mas perderam a maior parte da área em janeiro durante uma ofensiva relâmpago das tropas governamentais. Desta forma, o grupo assinou um acordo para se unir ao exército sírio, deixando de operar de forma independente.

“Desde a criação das FDS, seus combatentes assumiram uma grande responsabilidade durante um dos períodos mais difíceis. Eles libertaram muitas cidades e vilas sírias. Hoje, as circunstâncias mudaram, e o país entrou em uma nova fase caracterizada pela paz e pela participação”, acrescentou.

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Wikimedia Commons/Voice of America in Kurdish

As FDS, formadas em 2015, já foram o principal parceiro dos Estados Unidos na Síria enquanto combatiam o Estado Islâmico. Mas após a queda do presidente sírio Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, Washington formou estreitou laços com o novo governo liderado pelo presidente interino sírio Ahmed al-Sharaa, líder da oposição que derrubou al-Assad.

Em uma nota, Abdi disse que o presidente sírio al-Sharaa reconheceu a “preservação do nosso direito à educação na língua curda”, acrescentando que trabalharão para implementar “educação em língua curda durante o ano atual”.

Pela plataforma X, o embaixador dos Estados Unidos na Turquia e enviado especial para a Síria e o Iraque, Tom Barrack, elogiou a decisão e a “liderança visionária [que] abriu caminho para a integração ordenada das FDS nas instituições estatais sírias”. 

“Reconhecer a língua curda na educação e garantir papéis substantivos para nossos valiosos parceiros Mazloum Abdi e Ilham Ahmed dentro do governo sírio presta o devido respeito à sua liderança, aos sacrifícios de nossos parceiros curdos e à contribuição construtiva que deram à estabilidade regional — transformando as separações de ontem no propósito compartilhado de amanhã”, escreveu.

No dia anterior, o Departamento de Estado norte-americano removeu formalmente a Síria de sua lista de “Estados patrocinadores do terrorismo”. A mudança ocorreu após o restabelecimento formal das relações diplomáticas entre Washington e Damasco em 2025, que começou após a visita oficial de Al-Sharaa a Donald Trump na Casa Branca em novembro daquele ano.