Forças curdas da Síria anunciam dissolução e integração com Exército nacional
Formalização ocorre após acordo com governo de Ahmed Al-Sharaa; país árabe restabeleceu relações com EUA e foi retirado da lista de 'Estados patrocinadores do terrorismo'
Após uma série de reuniões em Damasco, o líder curdo das Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazloum Abdi, anunciou na noite desta terça-feira (25/08) a dissolução do grupo, que controlou partes do território sírio por mais de uma década. A decisão do comandante foi comunicada em conformidade com um acordo firmado com o presidente da Síria, Ahmed Al-Sharaa.
“Anunciamos hoje o fim da missão das Forças Democráticas Sírias e declaramos, com total responsabilidade, sua dissolução como força militar independente”, formalizou Abdi em um discurso televisionado no palácio presidencial em Damasco.
As FDS já controlaram uma zona autônoma no nordeste da Síria, mas perderam a maior parte da área em janeiro durante uma ofensiva relâmpago das tropas governamentais. Desta forma, o grupo assinou um acordo para se unir ao exército sírio, deixando de operar de forma independente.
“Desde a criação das FDS, seus combatentes assumiram uma grande responsabilidade durante um dos períodos mais difíceis. Eles libertaram muitas cidades e vilas sírias. Hoje, as circunstâncias mudaram, e o país entrou em uma nova fase caracterizada pela paz e pela participação”, acrescentou.

Forças curdas da Síria anunciam dissolução após se fundirem com o Exércio do governo
Wikimedia Commons/Voice of America in Kurdish
As FDS, formadas em 2015, já foram o principal parceiro dos Estados Unidos na Síria enquanto combatiam o Estado Islâmico. Mas após a queda do presidente sírio Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, Washington formou estreitou laços com o novo governo liderado pelo presidente interino sírio Ahmed al-Sharaa, líder da oposição que derrubou al-Assad.
Em uma nota, Abdi disse que o presidente sírio al-Sharaa reconheceu a “preservação do nosso direito à educação na língua curda”, acrescentando que trabalharão para implementar “educação em língua curda durante o ano atual”.
Pela plataforma X, o embaixador dos Estados Unidos na Turquia e enviado especial para a Síria e o Iraque, Tom Barrack, elogiou a decisão e a “liderança visionária [que] abriu caminho para a integração ordenada das FDS nas instituições estatais sírias”.
“Reconhecer a língua curda na educação e garantir papéis substantivos para nossos valiosos parceiros Mazloum Abdi e Ilham Ahmed dentro do governo sírio presta o devido respeito à sua liderança, aos sacrifícios de nossos parceiros curdos e à contribuição construtiva que deram à estabilidade regional — transformando as separações de ontem no propósito compartilhado de amanhã”, escreveu.
No dia anterior, o Departamento de Estado norte-americano removeu formalmente a Síria de sua lista de “Estados patrocinadores do terrorismo”. A mudança ocorreu após o restabelecimento formal das relações diplomáticas entre Washington e Damasco em 2025, que começou após a visita oficial de Al-Sharaa a Donald Trump na Casa Branca em novembro daquele ano.























