Governo iraniano denuncia Trump na ONU por ameaça de intervenção militar no país
Após declaração do presidente dos EUA, Teerã alerta que 'plano já falhou antes' e afirma que população defenderá o país contra tentativa de desestabilização
O governo iraniano denunciou perante a ONU as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, a quem acusa de incitar a violência no país e de ameaçar as autoridades com intervenção militar.
Em carta dirigida ao Secretário-Geral da ONU, António Guterres, e ao atual Presidente do Conselho de Segurança, Abukar Dahir Osman, a missão permanente do Irã junto à ONU concentra-se nas declarações feitas por Trump na terça-feira (13/01), nas quais ele pediu aos manifestantes iranianos que continuassem protestando, que assumissem o controle de suas instituições e garantiu-lhes que “a ajuda está a caminho”.
“Esta declaração imprudente encoraja explicitamente a desestabilização política, incita e convida à violência e ameaça a soberania, a integridade territorial e a segurança nacional da República Islâmica do Irã”, afirma o documento.
O texto descreve o ocorrido como uma ” violação flagrante dos princípios fundamentais do direito internacional consagrados na Carta das Nações Unidas, em particular a proibição da ameaça ou do uso da força” e “o princípio da não intervenção nos assuntos internos dos Estados”.
O Irã destaca que essa “retórica intervencionista” faz parte de uma tendência contínua e crescente, “com o objetivo de desestabilizar a política“, promovida pelo presidente dos EUA e registrada nas últimas semanas.
U.S. fantasies and policy toward Iran are rooted in regime change, with sanctions, threats, engineered unrest, and chaos serving as the modus operandi to manufacture a pretext for military intervention. This playbook has failed before. The Iranian people will defend their… pic.twitter.com/aBvww5JqWQ
— I.R.IRAN Mission to UN, NY (@Iran_UN) January 13, 2026
“Criando um pretexto para intervenção militar”: Teerã acusa Washington e Tel Aviv
Ao mesmo tempo, enfatiza-se que as declarações de Trump devem ser consideradas num contexto mais amplo, que inclui a “guerra fracassada de 12 dias” contra o Irã em junho passado, e como parte integrante de uma “política mais abrangente voltada para a mudança de regime”.
Essa política, especifica-se, é aplicada por meio da chamada campanha de “pressão máxima”, da intensificação de sanções unilaterais, da desestabilização social e econômica deliberada, da disseminação sistemática da insegurança e da incitação dos jovens a confrontar o governo iraniano.
Portanto, Teerã responsabiliza diretamente Washington e o regime israelense pela perda de vidas civis inocentes, particularmente entre os jovens, que ocorreu como resultado dessa política.
Dito isto, o Irã insta o Secretário-Geral e o Conselho de Segurança a condenarem “inequivocamente” a incitação à violência por parte de Washington, as ameaças de uso da força e a interferência nos assuntos internos do Irã, e a instarem os EUA e Israel a “pôrem fim imediatamente às suas políticas e práticas desestabilizadoras”.
Em um comentário sobre essa carta, publicado no X, a missão iraniana destaca que a política dos EUA em relação ao Irã se baseia no objetivo de derrubar seu governo, com “sanções, ameaças, tumultos e caos orquestrado” como “um modus operandi para fabricar um pretexto para intervenção militar”.
“Esse plano já falhou antes. O povo iraniano defenderá seu país e, sem dúvida, [essa tática] falhará novamente”, afirmou ele.























