Terça-feira, 10 de março de 2026
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Diante da escalada militar israelense no Líbano, em meio aos ataques coordenados com os Estados Unidos contra o Irã, o grupo de resistência libanês Hezbollah afirmou nesta terça-feira (03/03) que “atacar um quartel militar na entidade usurpadora é um ato de defesa e um direito legítimo”. O grupo apelou “aos envolvidos, interessados e responsáveis” para que “cessem a agressão, que é a causa direta de tudo o que está acontecendo”, segundo o veículo libanês Al Akhbar.

Em comunicado, o partido relembrou que “a agressão israelense contra o Líbano já dura quinze meses, com assassinatos, destruição e todas as formas de criminalidade”, observando que “todas as iniciativas políticas e diplomáticas falharam em conter essa agressão”.

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O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, anunciou na noite de segunda-feira (02/03) a proibição das atividades militares e de segurança do Hezbollah, considerando “completamente inaceitáveis” quaisquer ações militares lançadas a partir do território libanês fora do âmbito das instituições legítimas do Estado.

Em contrapartida, o líder do bloco “Lealdade à Resistência”, deputado Mohammad Raad, afirmou que “não é apropriado, diante dessa incapacidade e deficiência, que o premiê Salam e seu governo tomem decisões agressivas contra os libaneses que rejeitam a ocupação”.

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Nesse cenário, uma fonte militar libanesa informou à Al Jazeera, nesta terça-feira, que o Exército retirou suas tropas da área da fronteira para garantir sua segurança, em meio à escalada dos ataques israelenses.

A Agência Nacional de Notícias (NNA) afirmou que o Exército libanês está evacuando “posições avançadas” ao longo da fronteira com Israel. A Reuters, citando testemunhas, informou que as tropas deixaram pelo menos sete posições operacionais na região.

As Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram o reforço das tropas terrestres no sul do Líbano para “criar uma camada adicional de segurança para os residentes do norte de Israel”, ocupando posições para aprimorar a “postura de defesa avançada”.

Em uma nova escalada, as forças de ocupação israelenses emitiram nesta terça-feira ordens de evacuação forçada para dezenas de cidades e vilarejos no sul do Líbano – medida que configura punição coletiva, crime de guerra. A ordem ameaça moradores de 59 aldeias, alertando que em breve tomarão medidas contra as atividades do Hezbollah na região.

Um alto funcionário do Hezbollah afirmou que os ataques recentes não deixaram ao grupo “outra opção senão retornar à resistência”. Mahmoud Qmati declarou à Al Jazeera: “Se Israel queria uma guerra aberta, então que seja uma guerra aberta. A era da paciência acabou.”

O jornal libanês Al Mayadeen noticiou que o grupo armado lançou um ataque com drones nesta terça-feira contra a base aérea israelense de Ramat David. “Nossa operação é uma resposta à agressão israelense”, afirmou o movimento.

As FDI anunciaram ainda que atacaram comandantes do Hezbollah em Beirute, com relatos de extensos danos na área de Dahiyeh. O grupo de resistência libanês não confirmou a informação.

Bombardeios atingem Beirute e sul do país

Uma nova onda de ataques israelenses atingiu vários locais no Líbano, incluindo a sede da emissora Al-Manar, da rádio Al-Nour e um prédio residencial em Haret Hreik, nos subúrbios do sul de Beirute. A artilharia israelense também alvejou uma biblioteca e lojas.

Segundo a agência estatal libanesa, as áreas de Rweiss e Sfeir foram bombardeadas sem aviso prévio, causando danos significativos a edifícios. Os subúrbios do sul estavam sob intenso bombardeio desde a manhã, em meio a densos voos rasantes de aviões de guerra e drones. Explosões foram ouvidas por toda Beirute.

No sul do país, um ataque a Siddiqine deixou várias vítimas civis. Segundo relatos, moradores se reuniram após o primeiro bombardeio, resultando em perdas adicionais com um segundo ataque.

Forças israelenses avançaram em direção aos arredores de Ramyeh, Aita al-Shaab e Qawzah sob cobertura de artilharia.

A NNA também acrescenta que drones de Israel continuam sobrevoando em baixa altitude os subúrbios do sul de Beirute e a capital.

O gabinete político dos Houthis, no Iêmen, emitiu uma declaração condenando a escalada da agressão israelense contra o Líbano, “cujas violações nunca cessaram desde o acordo de cessar-fogo”, segundo o jornal Al Akhbar.

Até o momento, o número de mortos e feridos durante essa onda de bombardeios não foi divulgado pelo Ministério da Saúde do enclave.

Apesar da ofensiva israelense, pelo menos 30 mil pessoas deslocadas continuam em abrigos no Líbano desde o início da escalada na segunda-feira, segundo o ACNUR. O porta-voz da agência, Babar Baloch, informou que “muitos outros dormiram em seus carros à beira da estrada ou ainda estavam presos em engarrafamentos”.

Enquanto a comunidade internacional assiste, o Líbano mergulha em mais um capítulo de sua história marcada por invasões e destruição, com a população civil pagando o preço mais alto.