Houthis consideram cobrar taxas a navios comerciais no Mar Vermelho, diz agência
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, grupo iemenita conversou com autoridades iranianas sobre medida visando aumentar pressão dos EUA, enquanto chineses seriam isentos
Uma semana após declarar bloqueio naval à Arábia Saudita, os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, consideram impor taxas a navios comerciais que precisem usar o Estreito portal de Bab al-Mandeb, que liga o sul do Mar Vermelho ao Golfo de Áden, de acordo com fontes regionais ouvidas pela agência Reuters. Até o momento, não há prazo para a implementação desta medida, nem anúncio formalizado por parte do grupo.
Em julho, autoridades houthis viajaram ao Irã para participar da cerimônia fúnebre do falecido líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Conforme a publicação da Reuters na quarta-feira (29/07), na ocasião, as autoridades iranianas teriam discutido com o grupo a questão da imposição de taxas para o tráfego de Bab al-Mandeb.
Segundo as fontes, o objetivo seria normalizar a prática de impor taxas às vias navegáveis internacionais e aumentar a pressão sobre os Estados Unidos. Por outro lado, os navios chineses seriam isentos desses valores, já que a nação asiática teria ajudado com que petroleiros do grupo iemenita navegassem pelo sul do Mar Vermelho sem que fossem atacados. Os Houthis teriam apoiado essa ideia, conforme a apuração.
“Os Houthis tentarão obter acesso ao Mar Vermelho e tentarão cobrar os navios se conseguirem”, disse Afrah al-Zouba, ministro das Relações Exteriores do Iêmen, à agência Reuters.

Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, consideram impor taxas a navios comerciais que navegam pelo Estreito portal de Bab al-Mandeb, que liga o sul do Mar Vermelho ao Golfo de Áden
AFRICOM Public Affairs Office
Conhecido como “Portão das Lágrimas”, o Estreito de Bab el-Mandeb liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, dando acesso ao Oceano Índico. Nesse caminho, milhões de barris de petróleo passam todos os dias, e é usado para abastecer mercados da Ásia e da Europa. A rota é estratégica para países asiáticos, por exemplo, já que chega a poupar dezenas de dias de tráfego.
Vale lembrar que o tráfego no Mar Vermelho não se restabeleceu completamente desde que os Houthis na costa do Iêmen passaram a atacar navios mercantes em novembro de 2023, em um ato de solidariedade com os palestinos em meio ao genocídio promovido por Israel na Faixa de Gaza. Os ataques apenas foram interrompidos após a implementação de um suposto plano de paz apresentado pelos Estados Unidos, em outubro passado.
























