Irã adverte que tarifa dos EUA contra parceiros comerciais terá ‘consequências sérias’
Chancelaria iraniana rejeitou sanções ilegais e reiterou 'caminho do progresso'; segundo NBC, Israel e países árabes pediram contenção a Trump, argumentando que Teerã pode não estar 'suficientemente enfraquecido'
O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou nesta quarta-feira (14/01) que a imposição de uma tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre os parceiros econômicos de seu país terá “consequências perigosas” para o sistema internacional de comércio. A pasta informou em comunicado que o porta-voz da chancelaria, Esmail Baqaei, classificou as medidas coercitivas unilaterais de Donald Trump como “uma vingança contra o povo iraniano por sua firmeza no caminho de sua terra natal”.
Na segunda-feira (12/01), o presidente norte-americano havia anunciado pela plataforma Truth Social que qualquer país que fizesse negócios com o Irã estaria sujeito a uma tarifa de 25% para qualquer atividade comercial realizada com sua nação.
Nesse sentido, o porta-voz iraniano também destacou a natureza ilegal das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, além de mencionar a contradição dessas medidas com os princípios básicos que se aplicam à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional. Baqaei lembrou que “o povo do Irã tem sido submetido, sob vários pretextos, a sanções injustas e ilegais e a pressão econômica dos Estados Unidos e de alguns de seus aliados por mais de 75 anos”.
O representante iraniano também instou a ONU a cumprir seus deveres de salvaguardar o Estado de Direito em nível internacional, garantindo que Teerã “seguirá firmemente o caminho do progresso e desenvolvimento do país”.
A ameaça tarifária de Trump se deu em meio aos protestos no território iraniano, que foram iniciados em 29 de dezembro por razões originalmente econômicas, mas que ao longo dos dias se tornaram violentos em decorrência, segundo as autoridades locais, da participação de grupos armados infiltrados a mando de Washington e Tel Aviv. O governo do Irã, que inicialmente defendeu manifestações pacíficas, acusou os atores estrangeiros de sequestrarem as causas iniciais dos protestos para gerar caos e, assim, servir de pretexto para intervenções armadas.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que uma tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre os parceiros econômicos de seu país terá “consequências perigosas” para o sistema internacional de comércio
X/Foreign Ministry, Islamic Republic of Iran
Países pedem que EUA contenham ataques
De acordo com a emissora norte-americana NBC nesta quarta-feira, autoridades de Israel e de vários países árabes pediram, nos últimos dias, que Trump contenha quaisquer planos de ataques em grande escala ao Irã. De acordo com o veículo, que consultou fontes da Casa Branca familiarizadas ao assunto, as nações acreditam que o governo iraniano “pode ainda não estar suficientemente enfraquecido para que ataques militares dos Estados Unidos sejam um golpe decisivo que o derrubará”.
No dia anterior, o republicano ameaçou intervir no país persa ao incentivar os manifestantes iranianos a “tomarem as instituições”. Além disso, Trump garantiu que Washington tomará “ações muito fortes” caso houvesse mortes de manifestantes.
(*) Com RT en Español e Sputnik























