Irã confirma negociações com EUA sobre acordo nuclear em Omã na sexta (06)
Teerã agradeceu omanenses pelos 'preparativos necessários' para sediar tratativas em Mascate; decisão atende à exigência iraniana de descartar Turquia como local de encontro
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que as negociações com os Estados Unidos referentes à questão nuclear ocorrerão na sexta-feira (06/02), na capital omanense Mascate. O anúncio foi publicado na plataforma X, na quarta-feira (04/02), em meio às especulações da imprensa envolvendo localidade e data das tratativas.
“As negociações nucleares com os Estados Unidos estão programadas para acontecer em Mascate”, escreveu o chanceler iraniano, agradecendo ao país árabe por “ter feito todos os preparativos necessários”.
A decisão atendeu à demanda feita por Teerã dias antes, quando exigiu que o encontro presencial entre funcionários de alto escalão dos dois lados fosse em Omã e não na Turquia. No início da semana, o site Axios apurou que uma possível reunião entre o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e o ministro Araghchi seria presidida por Istambul.
Na terça-feira (03/02), em conversa com a imprensa, o presidente norte-americano Donald Trump disse que os Estados Unidos estavam negociando ativamente com o Irã e que se tratavam de “várias reuniões”. No mesmo dia, questionado pelos jornalistas, recusou-se a fornecer detalhes à respeito do local do encontro presencial.
“Eles estão negociando. Eles gostariam de fazer algo e veremos se algo será feito”, disse o republicano. “Eles tiveram a oportunidade de fazer algo há um tempo, e não funcionou. E fizemos a [Operação] Martelo da Meia-Noite. Não acho que eles queiram que isso aconteça de novo, mas gostariam de negociar. Estamos negociando com eles agora, sim”, continuou, referindo-se ao ataque norte-americano que destruiu três instalações nucleares no Irã em junho passado.

Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirma reunião entre Teerã e Washington na capital omanense Mascate <br/ > Mohammadhosein Moyahedinejat/Tasnim
Escalada de tensões
Recentemente, o governo de Donald Trump reforçou sua presença militar no Golfo Pérsico, ameaçando por meio de declaração ser uma frota naval ainda “maior do que a usada contra a Venezuela” nos meses anteriores ao sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. O republicano falou em intervir militarmente o Irã caso a nação não retome as negociações com os Estados Unidos sobre a questão nuclear. “O próximo ataque será muito pior”, ameaçou.
Ao mesmo tempo, as Forças Armadas do Irã estão em alerta máximo para uma possível ofensiva norte-americana. No domingo (01/02), o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, alertou os Estados Unidos sobre uma “guerra regional” em caso de ataque.
“Os norte-americanos devem saber que, se começarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional”, afirmou a autoridade. “Não somos os iniciadores e não queremos atacar nenhum país, mas a nação iraniana desferirá um golpe duro contra qualquer um que nos ataque”.
No início da semana, o chanceler Araghchi disse que o Irã está pronto para os meios diplomáticos, mas ressaltou que “a diplomacia é incompatível com pressão, intimidação e força”.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, por sua vez, indicou que seu país está “disposto a colaborar com o Irã.” “Para que essas conversas sejam significativas, elas terão que incluir certas coisas, e isso inclui o alcance de seus mísseis balísticos, o patrocínio de organizações terroristas em toda a região, o programa nuclear e o tratamento de seu próprio povo”, disse.























