Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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O governo do Iraque afirmou nesta quinta-feira (30/07) não haver evidências de que os ataques registrados contra a Arábia Saudita, na última terça-feira (28/07), tenham partido de território iraquiano. A afirmação contradiz a justificativa de Washington e Riad, que atacaram diversas regiões iraquianas, alegando retaliação.

“Não há evidências de que os ataques tenham sido lançados de território iraquiano”, disse o brigadeiro-general Sabah al-Numan, porta-voz das Forças Armadas do país, acrescentando que o governo iraquiano “não permitirá nenhuma ação individual vinda de dentro e, ao mesmo tempo, não aceitará nenhuma violação vinda de fora das fronteiras”.

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A Arábia Saudita acusa grupos armados, apoiados pelo Irã no território iraquiano, de lançarem drones contra instalações petrolíferas na Província Oriental e na região de Riad, nos dias 27 e 28 de julho. O Ministério da Defesa saudita afirmou ter interceptado e destruído os aparelhos antes que os alvos fossem atingidos.

Na noite dia seguinte, bombardeios sauditas e norte-americanos atingiram as instalações das Forças de Mobilização Popular (PMF, sigla em inglês), em diferentes províncias iraquianas, deixando 20 mortos e 32 feridos. O porta-voz das Forças Armadas iraquianas frisou que as PMF integram o sistema da defesa nacional do Iraque.

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“A visita do primeiro-ministro e comandante-em-chefe das Forças Armadas, Ali Falih al-Zaidi, ao quartel-general das Forças de Mobilização Popular (FMP) e o recebimento de um relatório detalhado sobre os ataques contra membros das FMP em várias províncias confirmam que as FMP são parte integrante do sistema de defesa nacional.”

Al-Numan disse, ainda, que as forças de segurança estão elaborando um plano para impedir novos ataques e preservar a soberania iraquiana, reiterando que Bagdá não permitirá a presença de grupos armados fora da estrutura estatal.

Forças Armadas Iraquianas e Mobilização Popular (milícias xiitas)
Forças Armadas Iraquianas e Mobilização Popular
Agência Tasnim / Wkimedia Commons

Resistência Islâmica nega ataques

A Resistência Islâmica do Iraque negou ter realizado ataques contra instalações na Arábia Saudita. Em declaração divulgada nesta quarta-feira (29/07), o movimento  armado disse que não participou de ações contra o território saudita, mas advertiu que uma resposta militar aos ataques dos Estados Unidos contra o Iraque é “inevitável”.

Em comunicado, o grupo acusou o governo saudita de dar “uma facada pelas costas” e atuar como “instrumento sujo nas mãos da Casa Branca”. “Ontem enviou homens-bomba suicidas e hoje, como mercenário de seus senhores, derrama o sangue dos iraquianos”, diz o texto.

A Resistência Islâmica acrescentou que, mesmo que tivesse ocorrido um ataque contra instalações petrolíferas sauditas, os ataques subsequentes, que levaram à morte de dezenas de pessoas, não se justificariam. O grupo também respondeu às pressões do governo iraquiano, que exige o desarmamento dos combatentes.

Eles estabeleceram um prazo, até o dia 23 de Safar (segundo mês do calendário islâmico), para que as autoridades demonstrem, por meio de medidas concretas, como pretendem responder aos ataques e garantir a soberania do país.

Já o grupo armado iraquiano, Saraya Awliya al-Dam, exigiu a expulsão do embaixador da Arábia Saudita em Bagdá, defendendo que o governo iraquiano não deve ignorar o “sangue das crianças do Iraque”. Eles também pediram a revisão imediata de acordos e contratos firmados com o governo dos Estados Unidos.