Israel barra acesso à Mesquita de Al-Aqsa no último dia do Ramadã
Palestinos são obrigados a rezar no exterior do local mais sagrado para o islamismo em Jerusalém; entidades acusam violação de direitos e provocação aos muçulmanos do mundo
Pela primeira vez desde 1967, a Mesquita de al-Aqsa, um dos locais mais sagrados do islamismo em Jerusalém, permaneceu fechada para as orações do Eid, que marcam o fim do Ramadã, período sagrado para os mulçumanos em todo o mundo, voltado à reflexão espiritual.
Nesta sexta-feira (20/03), o fechamento do local, imposto pelas autoridades israelenses, levou centenas de palestinos a rezarem do lado de fora das muralhas da Cidade Velha, sob forte presença policial. A mesquita está com acesso restrito desde o início da guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, sob a justificativa de “segurança”.
Durante todo o Ramadã, milhares de fiéis foram impedidos de entrar no local, reunindo-se nas proximidades da mesquita para cumprir seus rituais religiosos. A Liga Árabe classificou o fechamento da mesquita como “flagrante violação do direito internacional”.
Em documento conjunto, a Organização de Cooperação Islâmica, a Liga dos Estados Árabes e a Comissão da União Africana acusaram a iniciativa israelense como “grave violação do status quo histórico e legal” dos locais sagrados em Jerusalém e “uma provocação aos sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo”.
“Israel, a potência ocupante, carrega total responsabilidade pelas consequências dessas medidas ilegais e provocativas”, diz o comunicado.

Mesquita de Al-Aqsa permanece fechada no último dia do Ramadã
Andrew Shiva / Wikipedia Commons
As entidades fazem um apelo à comunidade internacional e, em particular, ao Conselho de Segurança da ONU para que obriguem as autoridades israelenses a darem fim às restrições de acesso aos palestinos à cidade ocupada de Jerusalém, garantindo o exercício dos seus direitos religiosos.
Gaza
Reportagem do jornal britânico The Guardian aponta que o controle sobre a Cidade Velha se intensificou nos últimos meses, com aumento nas detenções de fiéis e de funcionários religiosos, inclusive em horário de oração, além de incursões frequentes de colonos israelenses no complexo religioso.
O comércio no entorno da mesquita também está proibido, com exceção de farmácias e lojas de itens essenciais, prejudicando a vida de comerciantes que aguardavam vender seus produtos durante as comemorações do mês sagrado, quando milhares de fieis se reúnem no local.
Na Faixa de Gaza, o Eid foi celebrado em meio à devastação deixada por meses de guerra e uma grave crise humanitária, com centenas de milhares de deslocados e um número de mortes superior a 70 mil pessoas. “Amanhã será o dia mais triste para os fiéis muçulmanos em Jerusalém”, afirmou Hazen Bulbul, morador da região ao Guardian.
“O que temo é que isso crie um precedente perigoso. Pode ser a primeira vez, mas provavelmente não a última. A interferência israelense na cidade santa vem aumentando desde 7 de outubro [2023]”, declarou.
























