Israel: deputados aprovam dissolução do Parlamento e convocam eleições para outubro
Moção foi aprovada por unanimidade, com 62 votos favoráveis; segundo pesquisas, bloco anti-Netanyahu detém maioria para formar novo governo
O Knesset, parlamento israelense, votou pela sua dissolução, na madrugada desta sexta-feira (17/07). A moção foi aprovada por 62 votos a 0, incluindo a favorável do primeiro-ministro de extrema direita Benjamin Netanyahu, sendo um referendo crucial sobre a sobrevivência política do premiê e suas guerras em Gaza, no Líbano e no Irã.
Agora, a casa legislativa entra em recesso até a posse do próximo parlamento após as eleições, que serão em 27 de outubro. Nesse período, as comissões podem realizar reuniões sob acordos especiais, e o governo ou 25 deputados podem exigir a convocação do plenário.
Porém, antes de entrar em recesso, a coligação linha-dura de Netanyahu, a mais nacionalista da história de Israel, também aprovou uma série de leis controversas para assegurar a sua base eleitoral.
Entre as leis aprovadas, segundo a emissora estatal Kan, está a Lei de Financiamento de Partidos, que libera os fundos regulamentados pelo Estado necessários para que os partidos políticos realizem suas campanhas.
Também foi aprovada a Lei de Comunicações (aprovada por 53 votos a 48), que desmantela os órgãos reguladores independentes da mídia em favor de uma autoridade de radiodifusão supervisionada pelo governo.
Outra legislação, considerada controversa, que protegia homens ultraortodoxos do serviço militar obrigatório também foi aprovada. Kan observou que essas medidas visavam satisfazer os parceiros religiosos e nacionalistas da coalizão de Netanyahu, protegendo o governo de uma possível fragmentação antes do início da campanha.

Parlamentares israelenses aprovam dissolução do Knesset e convocam eleições para outubro
Foto: KnessetENG / X
Coligação de Netanyahu perde a maioria nas últimas eleições
Segundo a pesquisa divulgada pelo Canal 13, a atual coligação governamental, liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, deverá conquistar apenas 50 das 120 cadeiras do parlamento.
O relatório acrescenta que o bloco anti-Netanyahu, liderado pelo ex-chefe do Estado-Maior General Gadi Eisenkot, deverá obter a maioria necessária para formar governo no Knesset.
Os resultados do levantamento também indicam que o Partido Yashar, liderado pelo ex-chefe do Estado-Maior General Eisenkot, conquistaria 21 assentos, enquanto o partido Likud de Netanyahu manteria 22 cadeiras, permanecendo como o maior partido individual no Knesset.
No entanto, os três partidos que obtiveram o segundo maior número de assentos, depois do Likud, estão todos alinhados com o bloco anti-Netanyahu.
A sondagem prevê que o partido Birlikte (Juntos), do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, conquistaria 15 cadeiras, enquanto o Partido Democrata, de centro-esquerda, liderado por Yair Golan, garantiria 11 assentos.
O partido Yisrael Beiteinu, liderado por Avigdor Liberman, deverá conquistar 10 cadeiras, enquanto uma aliança política formada pelo ex-ministro Yoaz Hendel e pela integrante do Partido da Unidade Nacional, Hili Tropper, deverá garantir quatro assentos no Knesset.
O Canal 13 informou que esse resultado projetado dá aos partidos anti-Netanyahu uma “clara maioria” para formar um novo governo.
Em contrapartida, dentro da atual coalizão governamental de Netanyahu, o partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá deverá conquistar oito cadeiras, enquanto o partido Shas deverá garantir sete.
O partido Poder Judaico (Otzma Yehudit), do Ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, deverá conquistar sete assentos, e o partido Sionismo Religioso, do Ministro das Finanças Bezalel Smotrich, deverá obter seis.
De acordo com as pesquisas, os partidos árabes Ra’am e Hadash-Ta’al devem conquistar cinco e quatro cadeiras, respectivamente. No entanto, o bloco anti-Netanyahu não precisaria do apoio deles para formar um novo governo.
Outro partido árabe, juntamente com o partido Azul e Branco liderado por Benny Gantz, deverá ficar abaixo do limite eleitoral de 3,25%, não conseguindo entrar no Knesset.
Esses partidos de oposição, caracterizados como centristas ou de direita, têm opiniões semelhantes às dos atuais membros do governo sobre questões como as operações militares em Gaza e no Líbano, bem como a ação militar contra o Irã.























